Opinião: As infraestruturas do ensino superior no futuro

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Há uns anos, quando se falava de futuro, o nosso imaginário projetava-nos para um tempo longínquo, que agora está à distância de um click. Por este motivo, o futuro deve ser pensado hoje.

A tecnologia vai levar-nos a uma relação cada vez mais próxima a equipamentos e automatismos. Todos os setores vão ser afetados, incluindo naturalmente o ensino e, em particular, o superior. A forma como o conhecimento vai ser transmitido passará por alterações significativas. A aprendizagem irá incorporar a realidade virtual e aumentada e será baseada em projetos. Os testes serão substituídos pelo desempenho dos alunos no desenvolvimento de realizações criativas, pelas habilidades de pensamento crítico e pela capacidade de resolução de problemas. Novas plataformas proporcionarão aos alunos a oportunidade de aprender e a trocar ideias.

A informação a transmitir vai ter um caráter mais individual e vai ser feita para o aluno, que pode estar em casa. Os alunos poderão estudar e aprender o que quiserem, quando quiserem e durante o tempo que quiserem. Isso vai-lhes dar mais liberdade física e emocional, bem como a oportunidade de passar mais tempo com a família. Esta mudança vai tornar a despesa com a formação muito menor. Nos EUA cerca de 2,3 milhões de estudantes estudam praticamente a partir de casa e isso implica uma redução na despesa em cerca de 27 biliões de dólares.

Há um número reduzido de instituições que já iniciaram algumas experiências e as estatísticas que existem indicam que os graduados com formação a partir de casa leem mais, são mais interessados pelos assuntos políticos e estão mais envolvidos na sua comunidade.

Os conteúdos programáticos vão possibilitar uma aprendizagem mais produtiva porque atenderão mais às necessidades do aluno e permitirão aumentar o controlo do seu progresso. A maioria dos profissionais de educação concorda que o ensino centrado no aluno é uma grande ajuda, acelerando-lhes a compreensão e a retenção da informação.

O papel do professor não será apenas de transmitir conhecimentos, mas também identificar os pontos fortes, interesses e valores do aluno.

Para prosperar nas profissões do futuro habilidades como a criatividade, a inovação, a colaboração, a comunicação, as competências sociais e emocionais, entre outras, serão capacidades fundamentais.

Face a isto, a ideia de campus universitário deixa de fazer sentido, porque as salas de aula serão itinerantes e a esfera do mundo real (empresas) será o “novo campus”. No entanto, vão-se multiplicar espaços para estudo e reuniões, e laboratórios especializados, onde os alunos desenvolverão os seus projetos. Por isso, investir hoje em espaços convencionais, é estar a investir em vão, porque, em breve, de pouco ou nada vão servir, a sua utilização será mínima. Será sensato acompanhar, dentro do possível, a tecnologia disponível, e promover uma forte ligação a instituições/empresas que procurem inovação e desenvolvimento, e que estejam interessadas em ampliar novos projetos nas suas áreas de ação.

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