Nove denúncias de praxes abusivas no ensino superior no ano letivo passado

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A linha de denúncias de praxes abusivas e violentas recebeu no passado ano letivo nove queixas relativas a agressões entre alunos que aconteceram, na sua maioria, em instituições de ensino superior do norte do país.

A linha foi criada há exatamente cinco anos, em setembro de 2014, e desde então os abusos têm vindo a diminuir: No primeiro ano de existência, a linha recebeu 80 queixas; já no ano letivo que terminou em julho, registaram-se nove casos.

As praxes realizadas pelos alunos da Escola Superior de Administração, Comunicação e Turismo de Mirandela, do Instituto Politécnico de Bragança, motivaram duas queixas, segundo dados relativos ao ano letivo de 2018/2019 avançados à Lusa pelo gabinete do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES).

A atuação dos estudantes da Universidade do Minho e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto originaram outras duas queixas.

Os serviços da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) foram ainda contactados por causa de praxes no Instituto Superior do Porto, ocorridas na Escola Superior de Hotelaria e Turismo e Escola Superior de Média Artes, assim como no Instituto Superior de Contabilidade e Administração.

A Universidade Beira Interior (UBI) também faz parte do lote das instituições onde terão ocorrido abusos durante as praxes realizadas no ano letivo de 2018/2019, uma situação que já se tinha registado no ano anterior.

No centro do país, registou-se um caso na Escola Superior de Educação do Politécnico de Coimbra e, no Alentejo, uma outra situação motivou uma denúncia contra a atuação de um grupo de alunos da Universidade de Évora.

A linha de denúncia de praxes abusivas foi criada há exatamente cinco anos pelo então ministro da Educação e Ensino Superior Nuno Crato na sequência do caso da praia do Meco, em que um grupo de estudantes morreu afogado, alegadamente na sequência de uma praxe.

A maioria das queixas foi feita por email (praxesabusivasges.gov.pt), havendo apenas sete casos que foram denunciados por telefone.

Nos últimos anos, a receção aos caloiros passou a ser vista como uma oportunidade para desenvolver iniciativas positivas de integração de novos estudantes, com projetos solidários ou eventos culturais e desportivos.

Em 2017 foi criado o movimento Exarp, que tem destacado as melhores iniciativas.

No portal “EXARP” estão “mais de 390 atividades organizadas desde o início deste movimento, número demonstrativo da continua preocupação de toda a sociedade, desde associações e movimentos estudantis, passando por entidades ligadas ao desporto, cultura e ciência, até à participação ativa de cidadãos, no estímulo à liberdade e emancipação dos jovens e na sua melhor integração no ensino superior”, sublinhou o gabinete ministerial em declarações à Lusa.

Nos últimos anos, além de espetáculos musicais, os alunos têm sido convidados a participar em atividades de solidariedade e apoio a famílias carenciadas, através de inúmeras iniciativas como a recolha de alimentos.

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