Comerciantes e moradores levantam dúvidas sobre intervenção na Sé Velha

FOTO DB/PEDRO RAMOS

Aprovada a empreitada de 1,2 milhões de euros para a zona que faz a ligação entre a Alta e a Baixa, nomeadamente os espaços entre os largos da Sé Velha e do Quebra-Costas, aquelas áreas deverão conhecer, dentro em breve, um novo panorama. A ideia do Município de Coimbra passa por “dar mais protagonismo ao peão” e reduzir “significativamente” o estacionamento em redor da Sé Velha.
A obra, contudo, levanta algumas interrogações a quem, por ali, vai fazendo a sua vida. Para comerciantes e moradores é consensual a necessidade de requalificar os acessos e calçada daquela zona, sendo que a questão do estacionamento está longe de recolher unanimidade.
Por ali, muitos acreditam que a redução dos carros pode ter um efeito contraproducente, afastando os turistas e transeuntes daquele espaço emblemático da cidade.

“Pessoas que trabalham precisam de estacionar”
António Marques Lopes, proprietário da Mercearia Lopes e figura bastante acarinhada por aquelas bandas, não concorda com a política de estacionamento que, considera, “prejudica quem trabalha”. “Não percebo isso do estacionamento… A mim não me afeta nada ver ai os carros. Aliás, tenho aqui um negócio há mais de 30 anos e não tenho direito a estacionamento. Há dias, deixei aí o carro um bocado estacionado, depois de descarregar mercadoria, e a Polícia Municipal multou-me logo. Dá-me ideia que os comerciantes só servem para trabalhar e pagar impostos”, contou.
Apesar da discordância, António Marques Lopes é perentório quanto à necessidade de requalificar a zona: “Claro que precisa de obras! Estas ruas estão miseráveis”.
Já Maria Suzana Queiroz, uma das moradoras mais antigas da Sé Velha, propõe um estacionamento subterrâneo e critica a degradação das zonas pedonais. Aos 90 anos, a senhora, fiel utente do conhecido “Pantufinhas”, é solidária “com quem trabalha aqui e não tem espaço para deixar o seu carro”. “As pessoas precisam de trabalhar, naturalmente. E, assim, onde deixam os carros? Não compreendo. Atualmente, também ninguém respeita esta restrição para os moradores. Toda a gente estaciona e, quando cheira a Polícia, é vê-los a tirar os carros”, argumenta Maria Suzana Queiroz, para quem a urgência da obra “nem merece discussão”.
Nascida e criada no Quebra-Costas, a simpática idosa aponta as suas críticas para o estado do pavimento. “Está horrível! Degradadíssimo…”, conclui.

Reportagem completa na edição impressa de hoje

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