Opinião – Incrustados

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São pedaços da tua ascensão. Familiares directos e indirectos, amigos de longa data. Tratam-te por tu. Visitaram-te em casa. És padrinho dos filhos. Podem ser ex qualquer coisa entre amantes, namoros, pedaços da infância, filhos de amigos dos teus pais, ou os amigos dos teus pais. Estão para te aplaudir a subida, o sucesso, o estrondoso dia da promoção. Aplaudem e ululam na ascensão. Os que deves preservar para sempre apagam-se quando tens poder e aguardam-te na queda. Os incrustados vão começar a longa lista de pedidos e de favores. Não sabem que os favores se gastam, não reconhecem limites aos seus pedidos e alapam-se no teu telefone, abusam da tua rede social, exploram a tua capacidade de dizer que sim. Chegado a Ministro, ou a Director geral, ou a dono de empresa vão aparecer as lapas, bem coladas nas pernas e nas costas. Nos países pobres será sempre assim. Buscam empregos, aumentos de salários, lugares de menos trabalho. Buscam vida melhor sem olhar às suas competências e qualidades. Nos países pobres, como ser chefe tem vantagens vão pedir-te para ser chefe. Querem presidir, querem gerir, querem ascender contigo. Os incrustados são imensos no dia em que lideras uma federação, ou comandas um lugar que pode distribuir mordomias. Qualquer desses lugares serve como exemplo. O desporto também é assim. Se treinares tens de te preparar para os incrustados pais, os deselegantes gritos das mães. Estas “pegatinas” ou vinhetas chegam-te à molhada: bons, competentes, preguiçosos, insuportáveis, orangotangos da internet, pedófilos das novas tecnologias, espantados das notícias em pasquins, certificados de saberes ocultos e de conhecimentos desnecessários, juízes sem diploma, escritores iletrados, virgens multíparas, religiosos de dia e pagãos nocturnos, deslumbrados, narcisos. Há os que querem ser enfermeiro director sem percurso entre os pares, os que querem presidir, ou chefiar ou subir na carreira. Quase sempre não querem trabalhar, querem uma promoção. Hoje na rádio gritavam aos sete ventos, pelos sete mares, do filho incrustado de Bolsonaro que ele quer fazer embaixador junto de Trump e lembrei-me do Sampaio da Nóvoa, que também virou embaixador na Unesco sem carreira de diplomata, sentado de imediato em posto de General. Este último nunca foi deputado federal, nunca foi perceber a política nas juntas ou nas vereações, mas já lá está. É de esquerda e por isso tem menos rádio e a nomeação foi justa. Coitado do Eduardo que já está na boca dos chacais. É incrustado sim!
Se calha, ando a ficar deprimido, porque não sei se há algo mais a fazer para mudar estas coisas.

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