Opinião: Entre banhos e banhadas

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Gosto de anedotas. E gosto particularmente de anedotas parvas (ou ‘nem por isso’…). E, então, aí vai:
“Chegou um tipo ao pé de outro e disse-lhe:
– Tu és estúpido, tu és mesmo muito estúpido, és o maior estúpido de que eu tenho memória… és tão, mas tão, tão estúpido que num concurso de estupidez ganhavas de certeza o 2.º lugar.
De imediato, o outro, tão incrédulo quanto indignado, perguntou: – O segundo lugar? E porquê o segundo lugar?
– Ora, está bom de ver… porque és estúpido! – rematou o primeiro.”.
(E confesso que, neste momento, hesito em trocar o adjectivo ‘estúpido’ por um outro assim do género ‘bem-intencionado’, mas nunca gostei de eufemismos e, por isso, por respeito à natureza de quem não se verga, vou dispensá-los)
Voltando, pois, à piada que deu mote a este texto, não sei se o líder do PSD conhecerá a laracha, mas que o homem já garantiu várias vezes o tão apetecido 2.º lugar, lá disso não me restam quaisquer dúvidas. Aliás, com toda a franqueza, num país farto em praticantes de tal arte, o homem há muito que merece tão disputado prémio e o amigo Costa de bom grado lho entregará em Outubro, depois da festa rija socialista, que há-de ser um histórico arraial, com Chula e tudo (“P’ra melhor está bem, está bem/P’ra pior já basta assim”).
Agora, para já, para já, irão todos a banhos (de mar – entenda-se), mas do que eu gostaria mesmo era de ver esta malta numa temporada de mergulhos de ética num tanque de grande lotação (ainda que, assim mesmo, necessitássemos de regular os acessos à piscina para evitar congestionamentos e desagradáveis filas, pois já se sabe que os portugueses têm tendência para procurar os serviços à mesma hora só para complicarem o seu bom funcionamento, amontoando-se, indisciplinadamente, à porta da Loja do Cidadão, veja-se só). Bom, bom, era que a tal piscina tivesse um marcador que assinalasse a falta de ética de quem por lá se banhasse, assim à laia daquelas tretas de que convencemos os mais petizes para salvaguardar a integridade dos ditos tanques (“se fizeres chichi na água, vai ficar um círculo azul à tua volta e toda a gente se vai rir de ti”)… isso é que era ver a rapaziada a zarpar com ataques súbitos de hidrofobia.
Estou convicta que, desta forma, rapidamente se poria fim às fatídicas guerras entre as estruturas nacionais e locais de todos os partidos (é interessante perceber que, à medida que ganha votantes, também o Bloco de Esquerda vai denotando os mesmíssimos vícios dos ‘irmãos’ mais velhos) e, talvez, aí sim, se renovassem as bancadas, talvez, aí sim, acabassem as enxurradas de caciques a que assistimos de quatro em quatro anos.
Isso é que era um verdadeiro ‘banho de ética’… já as banhadas que o Rio nos vai dando, eu dispensaria com muito gosto.
Enquanto esperamos pelas listas completas do clã laranja, e desejando as maiores felicidades aos jovens que as integram, quero hoje reconhecer quem por lá ainda está, fazendo jus a quem nobremente serve a Liberdade e a Democracia.
Quero, hoje, agradecer à Margarida Mano a generosidade de sempre ter ouvido o povo que na Casa da Democracia representa e, ainda, de nunca se ter desviado das suas convicções. Mesmo que o nosso sistema não preveja círculos uninominais (que eu tanto gostaria que fossem seriamente discutidos), a Margarida sempre demonstrou respeito por quem a elegeu e nunca resignou em face de vulgares tentações. Mais, nunca se esqueceu de onde partiu e, por isso, aqui poderá voltar sempre. Não é coisa pouca e nem todos poderão fazê-lo…
Bem sei que os caciques também voltam e que até correm de um lugar para o outro, mas a esses, amoladores de profissão, bastam os tachos, independentemente do lugar onde (n)os amolam. Essa é outra conversa.
Hoje, falo exactamente do seu oposto, de uma Mulher que, com a grandeza e a sabedoria reservadas a poucos, serve o país e esta cidade que Dela se orgulha e que com Ela conta. É como diz a velha máxima militar, “A cavalaria nunca recua, dá meia volta e avança”.

2 Comments

  1. Não conhecemos a Sr.ª Margarida Mano, o nosso ofício não foi, não é, e não será seguramente o da política, pese embora o nosso interesse por uns quantos escritos de Política, mas inferimos que a Sr.ª Filomena Girão estará interessada em piadas com vícios lógico-semânticos e na semântica e na pragmática da citação (muito, muito muito para além da distinção entre uso e menção). A inferências poderão estar incorrectas…

  2. O vício do amigo do estúpido é lógico, mas afinal, sintáctico. Já o vício da estupidez, é irracional, ilógico.

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