Opinião – A actividade física dos nossos jovens ( 2 )

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Ramalho Ortigão, escritor defensor acérrimo da exercitação física da juventude do seu tempo, chamou a atenção da Câmara dos Pares para um estudo demonstrativo que os exercícios ginásticos são úteis não só ao desenvolvimento físico dos educandos, quando escreve: “Nas escolas inglesas em que se introduziu a ginástica os alunos aprenderam mais e em menos tempo do que naquelas em que a ginástica não existia”.
Sai reforçada esta constatação da velha Albion por um estudo, levado a efeito neste extremo ocidental europeu, sobre a influência da ginástica na melhoria da fadiga intelectual de 36 crianças do ensino primário na realização de provas de ditado. De uma forma muito resumida, os resultados demonstraram que nos dias em que a prova de ditado era precedida de 15 minutos de ginástica os erros ortográficos dados eram em menor número relativamente aos dias em que a ginástica não era ministrada. Este trabalho, intitulado “Influência do Exercício Físico na Fadiga Intelectual”, foi levado a efeito pelo então director do INEF coadjuvado por uma equipa de docentes formados em Educação Física, tendo obtido o segundo prémio científico da muito prestigiada Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa ( 1963 ), atribuído em colaboração com o Laboratório Pfizer, “com o objectivo de contribuir para a dinamização da investigação em Ciências da Saúde em Portugal”.
Com o velho costume nacional de embandeirarmos em arco, as recentes 15 medalhas alcançadas por Portugal no II Jogos Europeus, realizados há dias nas Bielorrussia, não devem fazer esquecer que a escola é o lugar de eleição para a promoção desportiva dos jovens não podendo andar aos caprichos de futuros governos que possam vir a fomentar a possibilidade de se verificar uma involução retornando, a Educação Física escolar a parente pobre do sistema educativo nacional.
Situação que levou o professor de Educação Física José Esteves, antigo bolseiro da Fundação Calouste Guilbenkian, a doutrinar, no seu “best seller”, “O Desporto e as Estruturas Sociais ( 1967 ), “não trocar a promoção desportiva de uma centena de crianças da nossas escola primárias por uma medalha de ouro olímpica”. Situação que continua a trasvestir uns tantos escolares actuais em pequenos Ernestinhos, “com membros franzinos, ainda quase tenros, que lhe dão um aspecto débil de colegial”, tão bem caracterizados pelo imortal Eça.
Ou seja, conquanto o “Departamento de Saúde e Serviços Humanos”, dos Estados Unidos, tivesse emitido a recomendação de que “ 60 % dos jovens deviam ter aulas de educação física diariamente, 70 % deviam ser testados periodicamente nos níveis de aptidão física e 90 % deviam participar em actividades físicas apropriadas para a manutenção de um efectivo sistema cardio-respiratório” ( 1980 ), três décadas depois ( 2012 ), nesta “ocidental praia Lusitana”, foram partejadas, nada nos garantindo não serem ressuscitadas, por outros governantes, as muito contestadas “matrizes curriculares” que mereceram o repúdio veemente de vários professores da Faculdade de Medicina de Coimbra.
Séculos passados, bem nos alertou Antero: “A nossa fatalidade é a nossa história”!

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