O invisual do Benfica que quis abraçar Rafa no estádio de Coimbra

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Dois invisuais e um cão-guia, na zona mista do Estádio Cidade de Coimbra, não é normal. Os gritos de um dos invisuais, quando apertado pela segurança, agravam o cenário. Afinal, trata-se apenas de um adepto do Benfica, que acaba a chorar quando Rafa lhe oferece uma camisola.

Chama-se Pedro Ferreira e é de Aguiar da Beira. Há cinco anos, a diabetes afetou-lhe a visão e estragou-lhe a vida. Hoje, com um grau de cegueira de 95 por cento, vive durante a semana em Coimbra para poder fazer hemodiálise diária.

No sábado, acompanhado do amigo Rui Jesus, cego, e da cadela-guia, foi ao Estádio Cidade de Coimbra e, no final, conseguiu aceder à zona mista. De repente, sai um dos artistas, Rafa, e o homem não contém o seu benfiquismo. E, entre abraços, lágrimas, palavras de incentivo e de elogio, não dispensa o invevitável pedido da camisola do jogo.

Rafa não tinha à mão a peça, mas Pedro desconfia da promessa de que “depois alguém ta faz chegar”. Vai daí, desata a falar alto e obriga à intervenção da segurança. Felizmente, tudo corre bem. E Tiago Pinto, diretor-geral do clube lisboeta, chamado pelo antigo jornalista Nuno Farinha, resolve o impasse quando surge com a desejada camisola na mão.

No final, Rafa ajuda Pedro a vestir-se à Benfica e o abraço apertado acaba em lágrimas de felicidade. Já com tudo sereno, porém, o invisual herói por momentos ainda tem tempo para maldizer a sorte de quem recebe pouco mais de 300 euros de pensão, tem de pagar 200 de quarto e ainda vê fugir todas as possibilidades de trabalho, mesmo depois de tanto ter apostado num curso de formação na área da restauração.

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