Durão Barroso admite que Governo português venha a indicar uma mulher para comissária europeia

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O ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso elogiou ontem os nomes propostos para os cargos de topo da União Europeia e admitiu que o governo português venha a indicar uma mulher para comissária.

Comentando as recentes nomeações de Ursula von der Leyen para a presidência da Comissão Europeia e de Christine Lagarde para a presidência do Banco Central Europeu, Durão Barroso salientou a importância de ter duas mulheres entre os novos cargos de topo europeus, afirmando que é “um sinal de progresso e avanço”.

O ex-primeiro-ministro considerou que o governo português “vai provavelmente receber um pedido para enviar uma comissária, e não um comissário”, para Bruxelas, já que Portugal é o único país que não nomeou qualquer mulher para a Comissão Europeia (CE).

“Todos nomearam mulheres. Portugal é o único que não nomeou. Não ficaria admirado que a nova presidente da CE, confirmando-se a eleição de Ursula von der Leyen, que ela pedisse aos países que nunca nomearam mulheres que o façam agora”, destacou, durante o Fórum Euro-Africa, reforçando que “a questão da representatividade é muito importante”.

Referindo-se a Lagarde, von der Leyen, Charles Michel, o novo presidente do Conselho Europeu e Josep Borrel, que será o chefe da diplomacia europeia e vice-presidente da Comissão, Durão Barroso disse que os conhece a todos “muito bem” e descreveu-os como “pessoas de excecional qualidade, competência, experiência e convicção do país que têm”.

O antigo primeiro-ministro desvalorizou igualmente o facto de a escolha dos novos líderes europeus ter demorado três dias.

“A verdade é que demorou menos tempo a escolha para estes cargos do que a formação dos nossos governos”, declarou, apontando os casos da Holanda onde “demora meses”, da Bélgica, onde “houve um que demorou um ano e meio” e até mesmo Portugal.

“Três dias não é assim tão grave”, sublinhou o antigo responsável europeu, responsabilizando os “políticos” pela “tentativa de fazer da Europa um bode expiatório”.

Durão Barroso, que deixou o executivo português para se tornar presidente da Comissão Europeia em 2004, foi instado a comentar as declarações de António Costa, que afirmou ter sido convidado para cargos de topo da União Europeia, mas garantiu que não tenciona “desertar”, dizendo apenas que fica “satisfeito se houver portugueses que possam ocupar cargos importantes a nível mundial”.

“É muito importante termos, quando possível, portugueses ou portuguesas em altos cargos porque aumenta a influência e a projeção do nosso país”, afirmou.

O antigo primeiro-ministro português saudou igualmente a ideia de criar um fórum que sirva como plataforma permanente de diálogo, juntando os atores públicos e os privados, e salientou as parcerias entre Europa e África que têm Portugal no epicentro.

Realçou ainda que a Europa continua a ser, “de longe o maior parceiro de África muito à frente da China e dos Estados Unidos”, surgindo em lugar de destaque a nível das trocas comerciais ou da ajuda ao desenvolvimento.

“Nós, [UE], sem arrogância, temos motivos para estar orgulhosos da nossa presença em África”, vincou.

Durão Barroso falava numa conferência de imprensa, juntamente com o presidente do Conselho da Diáspora, Filipe de Botton, que organiza o Fórum Euro-Africa.

A iniciativa decorre também sexta-feira no ‘campus’ de Carcavelos da Nova School of Business and Economics (NOVA SBE).

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