Consultório de estilo – Chapéus

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Chapeau, hat, sombrero em idiomas e estilos. Vem do latim cappellu, diminutivo de cappa, “cobertura de cabeça”. O chapéu é mais do que um acessório, simbolicamente é um adereço de charme e de liberdade que expressa um vocabulário próprio do homem e da mulher. As referências indicam que o chapéu é usado desde o início da humanidade. Nos primórdios foi usado como proteção, quando cobrir a cabeça era uma vantagem.

Os chapéus devem ser práticos e elegantes, mas todos conhecemos exemplos excêntricos. Na monarquia inglesa os chapéus têm um lugar muito especial no protocolo, sendo levados muito a sério. Para além de proteger a cabeça, é uma clara representação de poder, assumindo-se como distintivo social, distinguindo cargos, mas, também, diferenciando a personalidade quando combinado com o look, demonstrando, muitas vezes, uma imagem sofisticada e elegante.

Em grande medida as figuras públicas, músicos e artistas desmistificaram o uso do chapéu e muitos designers têm recriado os modelos recorrendo a novos materiais. Contudo, o seu uso como todos os acessórios, podem ser símbolos, parte de um uniforme, fashion statements.

O chapéu durante muito tempo foi usado como status, significava riqueza e poder, mas, principalmente, transmitia elegância e beleza, procurando refletir a imagem das “pessoas que sabem estar”. Alguns modelos deixaram de ser usados por algum tempo, para voltarem reinventados, atribuindo sentido à ideia de que o clássico nunca envelhece. Hoje, continua sendo ícone numa composição sofisticada ou informal.

Há dois estilos básicos – aba e sem aba -, e duas formas básicas – bonés e chapéus. Os chapeleiros usam estas formas adequando a diferentes estações do ano e circunstâncias. É possível combinar o uso de chapéu com um estilo informal ou clássico. O chapéu nunca deixou de estar na moda, acompanha as tendências mas é visto como proposta arriscada pelos criadores.

Em determinadas épocas, quando os chapéus eram extensões dos penteados, muitas vezes, era impossível identificar onde terminava o penteado e começava o chapéu. Cultivava-se o enfeite como se o rosto precisasse desse envolvimento para viver no corpo. A Moda soube adaptar o chapéu às linhas informais e jovens. É exemplo disso a sua combinação com jeans, símbolo de liberdade e de versatilidade.

O uso de chapéu vai muito para além da Moda, é, também, uma afirmação de cultura e de identidade. Como curiosidade há vários tipos de chapéu: chapéu alto, chapéu armado, chapéu braguês, chapéu cardinalício, chapéu de coco e chapéu de três bicos.

Muitas figuras históricas aparecem associadas ao uso de chapéus. São exemplos, o Infante D. Henrique, Van Gogh, o emblemático de Coco Chanel, o elevado de Fernando Pessoa, o sinuoso de Santos Dumont, o floppy de Audrey Hepburn e o menos tradicional de Chaplin, todos como uma marca registada de tempos e costumes que geravam fluidez na imagem.
Deixo-vos o conselho de combinarem chapéus com o vosso guarda-roupa, desde que se sintam confortáveis física e psicologicamente.

No dia-a-dia ouvimos várias expressões que fazem referência ao chapéu: “dar uma grande chapelada”, “a cabeça não é só para o chapéu”, “é de se lhe tirar o chapéu”, “chapéus há muitos” ou, ainda, “foi de chapéu na mão”.

Sem qualquer defesa, às vezes, a vida prega-nos grandes chapeladas. Se tirarmos o chapéu por delicadeza ou por educação, sabemos onde voltar a pô-lo. Num dos livros mais famosos de Oliver Sacks, O Homem que Confundiu a Mulher com um Chapéu, reencontramos histórias de vida onde aprendemos que a cabeça não é só para o chapéu.

One Comment

  1. Muito bem. Gostei.
    Hoje em dia, encontram-se também por aí umas versões de uso (não confundir com a distinção uso-menção) de chapéu cardinalício (o galero caiu em desuso), a saber, o chapéu cardinalício provocatório, que dado o todo do suporte dele, chapéu, só pode é compor muito bem.
    https://www.newyorker.com/culture/on-and-off-the-

    O chapéu é também muito interessante no Chapi Chapo, em particular no episódio La Cage, pese embora, em opinião própria, subjectiva, o atavismo de identificação de géneros a cores que lá se encontra.


    Há coisinhas singelas que nos ensinam algo VITAL, de VIDA.

    Valeu, galera.

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