Caderno Emigrante: Aos 24 anos Sofia Lima tem uma experiência de vida que já cruzou quatro países

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Quatro é o número de países onde Sofia Lima, com 24 anos e natural de Espírito Santo das Touregas, no concelho de Coimbra, viveu. De Coimbra a Istambul, na Turquia, com passagem, em regime de voluntariado, por Liepaja, na Letónia. Sofia voltou a sair de Portugal em outubro do ano passado, desta vez rumo a Bruxelas, na Bélgica, onde trabalha na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia (REPER), missão diplomática do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

Licenciada em Jornalismo e Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, foi através do Erasmus+ que surgiu a primeira oportunidade de viver no estrangeiro. O país escolhido foi a Turquia e a cidade que a acolheu é a “pérola” do estreito de Bósforo, Istambul.

“O Erasmus+ foi, de facto, a primeira vez que surgiu a oportunidade de contactar com um país e uma cultura diferente”, revela.“Tinha 19 anos e estava a meio da licenciatura, esse momento foi o cumprir de um sonho antigo”, realça. Em setembro de 2015, no primeiro semestre do 3.º ano de licenciatura, com 20 anos celebrados em junho, Istambul passou a ser a sua “casa”.

“Istambul é uma cidade gigantesca”

Outrora Bizâncio e, mais tarde, Constantinopla, Istambul, nome da cidade desde 1930, tem mais habitantes que Portugal (cerca de 15 milhões) e o seu território cruza a Europa e a Ásia. A opção pela Turquia “foi, sem dúvida, a melhor escolha”, refere. A família “ficou em Portugal de coração apertado”, mas Sofia Lima não tem dúvidas: “foram seis meses únicos”, revelando ainda que “voltava num piscar de olhos. Istambul é uma cidade gigantesca e facilmente te sentes esmagado”.
A maior dificuldade esteve na língua. “Não tinha ideia que a Turquia era tão subdesenvolvida a nível do inglês. Cheguei a comunicar através do Google tradutor”, assume. Apesar da “barreira” linguística, a hospitalidade merece elogios. “Sem dar por isso, já me sentia em casa. Fui sempre bem recebida e nunca senti qualquer tipo de frieza ou distanciamento”, enaltece.

Segunda experiência além-fronteiras: Liepaja

Regressou a “casa”, concluiu a licenciatura, mas o estrangeiro permaneceu no pensamento. “Voltar é bom, mas depois de sair pela primeira vez foi impossível não voltar a fazê-lo”, assume. “Comecei a pesquisar oportunidades de voluntariado financiado a curto prazo e encontrei o programa SVE, Serviço de Voluntariado Europeu, também pertencente ao programa Erasmus+. Fui aceite num programa de cerca de três meses”, recorda.

A “aventura” em Liepaja começou em outubro de 2016. “Partilhei a experiência com 11 voluntários oriundos de quatro países. Todos os dias recebíamos crianças e jovens dos 11 aos 18 anos”, conta. “Através de métodos de aprendizagem informal, tentávamos transmitir uma perspetiva multicultural, ensinar-lhes, por exemplo, coisas sobre os nossos países ou o inglês”, realça.

Bruxelas, presente e futuro
Apesar de ter começado a trabalhar, a formação nunca foi descurada. Depois de uma pós-graduação em Direitos Humanos na FDUC seguiu para a capital portuguesa. Na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa optou pelo mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais (CP-RI). “Decidi que me sentia definitivamente mais atraída por esta área”, desabafa.

A oportunidade na área surgiu através do MNE. “Descobri os estágios profissionais do Ministério dos Negócios Estrangeiros, candidatei-me e acabei por vir parar a Bruxelas, onde estou a trabalhar na Representação Permanente de Portugal junto da UE. É um privilégio poder estar na linha da frente da máquina diplomática portuguesa junto das instituições europeias”, destaca.

“Tem sido uma aprendizagem incomparável”, garante a jovem, que está na capital belga desde outubro de 2018. O futuro profissional, a curto prazo, passa pela Bélgica. “É difícil, se não impossível, recusar boas oportunidades profissionais com a minha idade, apenas porque são no estrangeiro, por isso planeio continuar em Bruxelas”, confidencia.

“Nunca sais diminuído de uma experiência no estrangeiro”

Depois de ter vivido em cinco locais distintos (três no estrangeiro), Sofia Lima refere que “ainda não se sente uma emigrante”. “Eu digo muitas vezes isto, em tom de brincadeira, mas também com uma quota-parte de verdade: é mais difícil ser emigrante português que de outro país. O nosso país é incrível. Quanto mais viajo, mais confirmo isto”, ressalva. Em agosto volta a Portugal, com o regresso a Bruxelas a estar marcado para setembro. “Voltar a trabalhar em Portugal é um objetivo a longo prazo. Não ambiciono ser emigrante”, realça.

Sofia Lima, que está a concluir a tese enquanto trabalha, assume que se as condições de trabalho em Portugal fossem semelhantes, o regresso seria “sem dúvida” uma realidade.

O contacto com outras culturas tem sido profícuo. “Viver lá fora traz-nos sempre coisas que nunca poderíamos adquirir no nosso território de conforto. Nunca sais diminuído de uma experiência no estrangeiro”, assegura a jovem.

Que palavra(s) associas, quando pensavas nos seguintes locais:
Bruxelas – chuva
Coimbra – casa
Espírito Santo das Touregas – núcleo/família
Voluntariado – diversão
Letónia – neve
Turquia – azul/mar

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