Opinião: “Pedrógão Grande novamente, e os “sem-vergonha” de sempre…”

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Alguns jornalistas que têm denunciado atuações de políticos e instituições, quanto à tragédia ocorrida em Pedrógão Grande em 17 de junho de 2017, acabaram de mostrar novamente ao país a situação dramática de bombeiros e populares vítimas do mais pavoroso incêndio florestal de que há memória. Os depoimentos de algumas pessoas envolvidas fazem estremecer quem os escutar, pelos dramas revelados e indignidades de quem devia ter a preocupação de minorar o sofrimento causado por falhas globais no que respeita ao planeamento do território, e fazem pensar que há uns “sem-vergonha” que continuam a andar por aí como se nada tivessem a ver com o que se passa de errado, quer na governação da nação, quer na administração do território.

Naquele dia, e só na EN 236-1, perto de Pedrógão Grande, apareceram carbonizados 47 dos 66 mortos havidos, mas as reportagens televisivas têm mostrado a inação e o desleixo de autarcas que nada aprenderam com tão trágica ocorrência. É que quase todas as estradas continuam sem terem faixas de proteção de dez metros em cada berma, como a Lei passou a impor, mas que o Estado e a maioria das Câmaras não mandam executar, imputando aos particulares a obrigação de assegurar a defesa do povo. Só que Estado e Municípios deviam ser os primeiros a cumprir o que as leis determinam, porque são os portugueses que, com taxas e impostos, lhes pagam tudo.

Já há municípios que assumiram a execução das faixas de proteção junto às estradas municipais, para cada povoação ter escapatória mais segura, no caso de incêndio florestal. Mas ao chegar a qualquer Estrada Nacional (EN), como o Governo não teve igual preocupação, o esforço que municípios como Mortágua e Figueira da Foz estão a fazer, poderá ser inglório. Oxalá o país não seja confrontado com ocorrências como as de há dois anos, que ocasionaram, no total, mais de uma centena de mortos. Mas, se ocorrerem, quem será culpabilizado? Os inúmeros pequenos proprietários florestais que já suportam altos custos e prejuízos, ou as diversas entidades a quem compete a gestão do território nacional? E não deverá o Estado expropriar as faixas de proteção e indemnizar devidamente os proprietários, por as mesmas passarem a integrar um bem comum?

É que, quanto à floresta nacional, há que repensar quase tudo. E se primeiro-ministro, ministros, secretários, subsecretários de Estado e presidentes de Municípios há muito tempo deviam fazer o que compete a quem quer governar bem, para prevenir o risco de incêndio florestal que, com o Aquecimento Global, não cessa de aumentar, ninguém pode esquecer que compete ao Governo impor às organizações públicas e às empresas privadas com competências de gestão pública, nomeadamente em áreas sensíveis, e com destaque para redes rodo e ferroviárias, energéticas e de telecomunicações, procedimentos preventivos adequados, que minorem tal risco de incêndio.

As reportagens sobre Pedrógão Grande têm vindo a apontar situações que, sendo verdadeiras, deveriam ter causado demissões na Câmara Municipal. Como os executivos não se demitiram, admira que os autarcas das restantes forças políticas desta autarquia não se tenham demitido em conjunto, para forçarem eleições. Mas a falta de demissões não significa que seja falso o que as televisões têm mostrado, por muito que custe a crer no que as imagens e testemunhos revelaram.

Mas o que mais tem custado ao povo, é ouvir alguns dos que sofrem, a afirmarem que há falta de apoios, e outros a garantirem que ainda nem receberam indemnizações a que têm direito, em depoimentos que envergonharam todos, menos os “sem-vergonha” de sempre. Este Governo terá de apoiar quem sofre por incúria do Estado, e honrar os que morreram. E a Justiça terá de apurar a verdade e punir exemplarmente os que governem sem cumprirem deveres assumidos perante o povo e “aquela gentalha” que ateie fogos, que desde sempre deveria ter sido punida severamente, por todos os anos causarem destruições e sofrimentos horrendos ao longo do país.

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