Opinião: Nacional figueirismo

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Ataíde esteve como presidente da câmara da Figueira quase 10 anos. Aparentemente, no decorrer desse tempo, estava tudo bem, tirando o pequeno problema das coisas não funcionarem. Em abril passado, recebeu um convite para ir ocupar o lugar de secretário de estado do ambiente e nem vacilou: aceitou de pronto.

Na passada segunda-feira, a maioria socialista levou à reunião de câmara, realizada à porta fechada ao público e aos jornalistas, uma proposta de atribuição da Chave de Honra da Cidade. A proposta foi aprovada por unanimidade. No próximo dia 24 de junho receberá a condecoração, certamente numa cerimónia com pompa e circunstância.

Ataíde impôs um estilo de governação autárquica autoritária. Deixou dois concelhos: o dos discursos, das condecorações e das proclamações nos salões. E o dos esquecidos. Entretanto, entre o passado que passou e aquele que ainda está a passar, a água tumultuosa, escura e densa vai correndo sob a ponte.

Ataíde foi condecorado. Espero que toda a Figueira tenha ficado satisfeita. Assim é que é bonito: tudo fica bem quando acaba em bem. Somos assim. Muito pequeninos. Muito poucochinhos. Não sei se era Ataíde que estava farto do PS ou o PS/Figueira farto dele. Uma coisa, porém, aconteceu: Ataíde foi condecorado numa reunião à porta fechada. A vida é assim. Ataíde já é passado. Passou, mas há cicatrizes que, depois da queimadura da ferida, ficam com um certo sentido de justiça e de beleza.

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