Opinião| Ainda na Finlândia: Temos é de pensar nos melhores!

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Num diz-se que se diz, Paul Robert ( 2009 ) disse o que terá dito uma senhora muito responsável lá da Finlândia, e cito, no ensino básico pensamos em todos, no secundário temos de pensar nos melhores. E esta, hein? E disse mais: o liceu é o local de seleção das elites. Cá está, liceu, elites. A França teve uma revolução ainda maior que a nossa, mas não acabou com os liceus. Nem os países com juízo.

Nós então só temos malucos no meio disto tudo, a começar no marquês de Pombal, que criou a escola pública em 1759, já não era sem tempo, só que fez uma grande bacorada, daquelas que um político inteligente, como eu, nunca comete. Então não é que o gajo, antes de construir a escola pública que a pouco e pouco ganhasse o seu espaço e a sua dimensão de escola do estado, conforme as disponibilidades do tesouro, primeiro limpou o sarampo aos jesuítas, acabou-lhes com a raça e com as escolas, e os nossos putos ficaram a chupar no dedo. Monárquico!

E depois veio o Mata-Frades, esse então foi de caixão à cova, numa penada, em 1834, extinguiu “todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios, e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares”, sendo os seus bens secularizados e incorporados na Fazenda Nacional. Bem feita. Cá mas fazes, cá mas pagas, dizia o figurão.

Mas o povo não gostou. E os vigários por essas aldeias fora, onde então viviam as pessoas, também não. Adivinhem o que aconteceu! No fim do século éramos o país com mais analfabrutos e com menos crianças nas escolas, só 13%, quando outros já iam nos 80%. O Salazar também ajudou, só queria educar os meninos-bem, mas o problema vem lá de trás. Tudo a dar pra trás na educação. Século das luzes! Se fosse agora era das lâmpadas fundidas, naquele tempo foi de candeias às avessas!

Semearam ignorância, colhemos pobreza e miséria, foi isso o que nós herdamos. Quando o ME faz aquele decreto estúpido sobre a inclusão, está-se nas tintas prós meninos que não aprendem, está é preocupado com os pobres, que passam fome e frio, que não têm água e luz em casa. Desgraçados, fazem da escola um hospital onde se curam as gravíssimas doenças sociais. Muitos miúdos só comem na escola. Dieta forçada. Fora o resto. Por isso é que deixou de haver NEE e passou a haver NSE. Temos a escola no SNS.

Escolas de pobres têm sempre problemas dobrados. Não podem competir com as dos meninos ricos do Norte. Por isso é que as tipas lá da Finlândia falam de escolas pequenas, mas com espaços amplos, de repouso. As nossas só ganham no muro das lamentações, enorme, sempre cheio. Se os putos entram na escola mentalmente confortáveis têm melhor rendimento, maior capacidade de concentração, maior disponibilidade. Com fome não conseguimos ter crianças felizes. Só se forem masoquistas. A mochila cheia de livros, a cabeça cheia de raiva e tristeza. Como transformar crianças mentalmente destruídas em crianças felizes e aprendentes? Se tens a mãe a levar porrada em casa vais aprender muito, vais!

 

Inclusão no básico, Seleção no secundário

A Finlândia concentra no básico os problemas da inclusão, as crianças imigrantes e os alunos com necessidades educativas especiais. Para eles a imigração é uma oportunidade, não uma ameaça. Respeitam crenças, língua, cultura, que representam uma riqueza. Porquê impedir os véus às meninas somalis? E ensinam nas escolas as línguas e religiões das crianças imigradas. Olha se fosse cá, geringonça laica e republicana! Nem os véus se aproveitavam, quanto mais as religiões. Religião em Portugal, só a do partido. Raios os partam!

Na deficiência, o mesmo cuidado, dar a cada um os meios para ter sucesso, professores de apoio especializados que vão ao domicílio, apoio personalizado, tudo é feito para que a criança supere as dificuldades quanto antes. Nas aulas têm professores assistentes e há uma turma segregada para os casos mais pesados. Assim mesmo, se “estrovam ou são estrovados” ficam à parte. Olha se fosse cá. Domicílio? Turma segregada? Duplo veto: sindicato e ministério. Toma!

Lá, desburocratização dos processos de identificação de dificuldades de aprendizagem e NEE pra evitar rótulos e estigmas. Cá, como é que um ministério e um sindicato de burocratas pode desburocratizar? Lá os alunos têm apoios quando precisam, sem processos que os diminuem. Esta é a inclusão no ensino básico, assegurando aos mais vulneráveis as condições de escolarização e de sucesso educativo.

 

Como investir nos mais vulneráveis sem desperdiçar os talentos?

À igualdade educativa do ensino fundamental sucede uma seleção feroz, aceite e estimulada no ensino secundário. São os gajos que querem. Como na Inglaterra! Sem tirar nem pôr, só que por um caminho mais soft. Acham que o segredo da qualidade é a seleção. Será? É. Não nos podemos dar ao luxo de desprezar os talentos em nome de um igualitarismo medíocre. Vejam as melhores universidades em todo o mundo e os critérios de seleção. Entram apenas os melhores dos melhores. Na Finlândia, há os bons liceus e os outros. Para entrar no melhor Liceu de Helsínquia, por exemplo, é preciso ter 9,5 em 10.

Com a extinção dos liceus em Portugal, absorvidos pela mediania e mediocridade das outras escolas em termos de seleção, abdicámos de ter escolas públicas de qualidade. O liceu hoje é nos colégios.

Apetecia-me terminar com uma frase do Vladimir que me pode levar ao cadafalso: “De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades” . Na política não resultou, talvez resulte na escola…

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