Todas as flores são para ela

O calendário diz que o dia é delas. E comércio logo aproveita o consumismo desenfreado para vender as suas marcas. Sempre com promessa de que isso as fará feliz. Mas as mães – essas mulheres que Goethe pensa estarem fora do tempo e do espaço – não precisam de um dia marcado no calendário. Tão pouco necessitarão de prendas. Talvez o melhor presente seja perceber a responsabilidade que as mães carregam dentro de si – num mundo tantas vezes parco em oportunidades e em igualdade.

Sim, amanhã o dia (que são, afinal, todos os dias) é delas. Para a mãe que cria, que dá amor, que aconchega nas noites frias de Inverno, que pousa a mão na cabeça e diz “confia”, que acredita (apesar de todos os defeitos dos filhos) que eles os melhores do mundo.

Todas as flores deviam ser para ela: para aquela que ouve, critica, aconselha. Aquela cujo sorriso ainda é dos poucos que acalenta; cujo abraço afasta as mãos frias da desilusão. A confidente, a amiga, o colo quente e perfeito, apesar dos defeitos e dos sermões.

Só por isso valerá a pena uma data marcada no ano – para lhe dizer as palavras esquecidas na penumbra do dia e para lhe dar os beijos, distraídos, que ficam por dar.

Amanhã, como ontem e depois, elas estarão (ou deveriam estar) como escreveu Herberto Helder, “dentro do amor, até somente ser possível amar tudo, e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor”.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.