Opinião – Processo nº 25280/16.6T8LSB

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A insolvência de fundos de investimento como a Promovest terminam sempre em ruínas e leilões que com valores exorbitantes nos colocam a realidade na sua máxima força. Falamos dos prédios embargados – o jardim de cimento do Mondego. A densidade, a altura, a quantidade de apartamentos, a volumetria – não sei o que esteve errado, mas suspeito que tudo!
14.812.621,02 euros foi o valor mínimo de venda dos prédios que morrem lentamente junto ao Mondego. São prédios com alvará de licenciamento da Câmara de Coimbra desde Novembro de 1999. Todos aqueles prédios da Ladeira do Baptista (Almedina) estão sob a gestão de um administrador de insolvência que reduziu milhões às dívidas e que acertou uns valores de resolução da massa insolvente que acabaram nesta conta que dificilmente outros seriam capazes. Um dos fenómenos deste Portugal é o dos administradores de insolvência que gerem massas voláteis e decidem valores de perda para cada um dos que tendo trabalhado e investido agora chucham nos dedinhos, “no aguardo” de um comprador ou investidor. Quem são estes administradores e como se formam? Como gerem dezenas de insolvências ao mesmo tempo e recebem de todas? Como podem ausentes resolver o que gestores e investidores falharam? Mas eles liquidam e põem e dispõem. Da passagem dos administradores fica a redução de dívidas a valores de resquício do contratado. As massas insolventes ficam algemadas e as decisões judiciais suspensas enquanto se arrastam as conversas dos credores com o administrador. Aqui foram quinze anos: mais de 160 salários mensais garantidos ao administrador – não sei se é justo, se é o devido e correto, mas sei que é muito tempo!
Entretanto, como podemos ter um processo que durou mais de quinze anos a desfigurar a margem direita da cidade? Entre políticos, decisores e investidores não podia ter havido acordo? Onde se extremaram as posições? Sempre aprendi que negócios não têm mãe, nem afectos, nem cor política, mas por vezes há teimosias que terminam em perdas totais onde bastava ter-se encontrado um espaço para cada um. Gerir é encontrar o lugar de cada um numa instituição, descobrir um ganho para cada interveniente e partir em decisões justas o que não tem consenso. Pelos vistos os mediadores camarários não souberam ou não conseguiram bom senso nos intervenientes destas construções. Aqueles prédios em degradação são um monumento do desrespeito do construtor pelo licenciamento, uma obra-prima da crise de 2009 onde o mercado arrasou a construção, um ícone da lentidão e da inercia dos administradores de insolvência e dos tribunais, uma marca de gestão camarária falhada em matérias complexas.
Descobri esta história num jornal recente e fiquei a saber que para entrar na discussão e no conhecimento do dossier precisava meter 5% do valor de 14 milhões num envelope. Deste modo não sei se houve investidores, não sei se haverá construção ou terraplanagem. Aguardo curioso a resolução de um dos problemas mais velhos de Coimbra.

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