Opinião: O tigre siberiano

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Tenho imensas dúvidas que o meu voto de domingo passado tenha caído no partido ou candidato mais bem preparado para nos representar no Parlamento Europeu. Nunca o irei saber.
Apenas li (e na diagonal) o programa de um partido. Foi o suficiente para perceber que não percebia nada de matérias tão acessíveis como ferramentas de controlo orçamental, sistemas comuns de asilo, direitos de propriedade intelectual, regras de cibersegurança ou fundos acionistas de trabalhadores. Ao colocar a cruz no boletim, senti-me como num determinado teste em que saí com dúvidas entre Nilo e Amazonas, quando a resposta certa era tigre siberiano.
Talvez me deva abster de escrever o resto da crónica… Bem, adiante. Qual o cidadão mais sensato? Aquele que não tira o rabo do sofá, assumindo a sua ignorância sobre assuntos esdrúxulos (quantos milhões querem?) ou o herói que vai à urna espetar a cruz, numa versão mais sofisticada e burocrata do um-dó-li-tá? O voto obrigatório é solução para a abstenção? Sim, mas não garante que os candidatos mais aptos, competentes e honestos (cof cof) sejam eleitos. E muito menos garante uma média mais elevada de eleitores minimamente informados.
Na Figueira da Foz, se de alguma forma estas eleições servem de barómetro ao momento político actual no concelho, e depois de tantas dúvidas, deixo uma certeza. O PSD ficou a 3500 votos do PS (em 2014 estava a 2000) e tem o BE a escassos 800 votos (em 2014 eram 3000). Mas nestas coisas já sabemos que não há derrotas, fracassos ou projectos falidos. Apenas vitórias pequeninas.

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