Opinião: O amor é um pássaro verde num campo azul no alto da madrugada

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No final de semana, durante um animado jantar de amigos, a saudade de tempos idos convocou as memórias das longínquas adolescências dos convivas ali presentes.

De lembrança em lembrança, restou-nos a memória de um famoso poster que então enfeitava os quartos de alguns e que ilustrava um beijo de dois adolescentes, sob a máxima que dá título a este texto. Não me lembro de algures ter visto tal papeleta, mas admito que gostaria de conhecer o paradeiro do dito cartaz, para poder afixá-lo, à vista de todos, em defesa da relevância de todas as epístolas da treta, dignas da inteligência de uma melga e geradoras daquela pitadinha de cobiça que os néscios sempre suscitam. São palavras ocas que encontram orelhas moucas, como diz o povo.

Ora, quando os jornais de anteontem noticiaram mais uma aselhice de Rui Rio, que se mostrou agradecido a Sá Carneiro por tê-lo livrado do PS, “partido a que provavelmente teria aderido se o líder histórico não tivesse criado o PPD”, foi-se a mouquice que sustinha estas linhas.

E, para surpresa de alguns, as aselhices continuaram à noite na TVI, onde Rio negou qualquer recuo dos sociais-democratas, “ouviu-me a mim dizer que ia votar a favor? Se os deputados do PSD deram essa sensação, não sei, eu não estava lá”, e insistiu “eu nem deputado sou, muito menos daquela comissão, e muito menos lá estava à meia-noite quando aquilo foi votado, mas há uma coisa que eu disse: eu não conheço o documento, mas o voto do PSD não será diferente do que eu fiz ao longo da vida, uma vida de rigor nas finanças”.

E realçou: “O Dr. Rui Rio demora sempre dois dias a falar porque a política não é uma correria para ver quem chega primeiro”.

E persistiu “Se chumbar o diploma na 6.ª feira, fica a vigorar o diploma do governo que diz isto mesmo”, mostrando que afinal a montanha parira um rato.

E, só aí, depois de um tiroteio cerrado nos próprios pés, falou então da necessidade de proceder à negociação das carreiras especiais da função pública.

E, mesmo assim, não disse que este Governo teve vários anos para fazer esta concertação e não fez nada, nada mesmo, para além de promessas vãs que nunca tencionou cumprir.

E ainda subiu a fasquia para as Europeias, garantindo que “qualquer resultado que faça subir pouco o PSD é mau”.

“Ó grandessíssimo aselha, não apequenarás! Antes denunciarás, ponto a ponto, as palavras ocas deste governo sem palavra nem honra e, para isso, terás de correr, sim, firme e hirto!”, ditar-lhe-ia o excelso Santo Padroeiro dos Inábeis.

Então, o homem que nunca abdica do poder, mesmo quando perde eleições (e não me refiro à geringonça, mas sim à noite em que, há mais de 30 anos, António Costa, tendo perdido as eleições para a Associação Académica da Faculdade de Direito, se recusou a aceitar a derrota, obrigando os vencedores a arrombar a porta da sede com uma mesa de matraquilhos), ameaçou demitir-se se a reposição do tempo de serviço dos professores fosse aprovada no parlamento, e a oposição, convicta da justiça daquela medida, perdeu a oportunidade de o pontapear em pleno traseiro!?

Em nome de uma responsabilidade que não é sua, ficaram PSD e CDS reféns da aprovação da tal ‘cláusula travão’ que o próprio PS chumbara na votação da dita comissão e que já avisou que de novo chumbará no parlamento, ao mesmo tempo que acusa a oposição de atentar contra a estabilidade do país!?

Então não era deixá-lo ir embora, de imediato, sem apelo nem agravo, em vez de, à vez, repartirem com a esquerda o peso do andor onde o santo, mau grado a fragilidade dos enormes pés de barro, segue refastelado!?

E, no meio deste faz-de-conta, enquanto o país se queda distraído, a grande família socialista continua a garantir hospedagem a todos os amigos. Desta vez, a Câmara de Lisboa contratou o filho do blogger do Sócrates (antes pagavam-lhe para falar, agora é isto… a ‘bendita’ solidariedade rosa).

Tretas por tretas, abençoados sejam os néscios, os bem-intencionados, e os aselhas!

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