Opinião: Eleições para a União Europeia – Interrogações

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Os candidatos a deputados não apresentaram o seu currículo. Continua a ser como a água destilada: incolor, inodora e insípida, isto é, não sabemos o que pensam dos problemas reais do país e da União Europeia, como sejam o ensino, a investigação, a agricultura, desemprego e a proliferação dos sem-abrigo.
Uma certeza fica: já apontam para os seus líderes espirituais – ingleses, franceses e alemães…
Mas se são eleitos já têm garantida a comodidade de um bom emprego, carro, avião, férias e (porque não) reforma antecipada.
Os conselheiros são quem os indicou ou apoiou – ou seja os chefes partidários que vivem enclausurados em lugares do Estado e o que lhes é exigido é a subserviência traduzida na obediência cega às ordens vindas dos tutores, sem direito a pensar, contradizer e discordar.
É assim que tem funcionado o nosso país, o que tem levado ao caos em que nos encontramos, e são tudo floreados. Basta ver o que se passa na Assembleia da República ou que aparece na comunicação social.
Atrevo-me a adivinhar que a grande maioria dos candidatos são das ciências jurídicas, humanistas e empresariais, que nada produziram, só consomem; que não recusam nenhum lugar público como directores, deputados, ministros ou secretários de Estado. Aceitam de imediato, não se interrogam “estarei apto?”. São génios logo que ocupam o novo cargo. Não foi por concurso, não foi por eleição: o atingido foi por subserviência.
É assim que tudo está num caos. Basta ver a imprensa escrita e órgãos de comunicação. A corrupção, a violência, os assaltos, os coitadinhos que não trabalham nem querem trabalhar e só se acham com direito a tudo gratuito: direito à justiça, à saúde, a vencimento,… E é assim que o meio rural está despovoado… Para quê trabalhar se nada fazendo têm direito a tudo?
E os poderosos, se são corruptos, têm direito a condecoração! No Japão, suicidar-se-iam. Na China, seriam mortos. Noutros países, seriam punidos. No nosso, são perdoados, ou até condecorados.
A segurança em declínio: o serviço militar obrigatório feneceu… a saúde… as reformas… tudo em causa. Aumenta a dívida externa, os bancos não pagam juros nos depósitos, porque não há investimento.
O desemprego é galopante. A juventude que quer trabalhar deixa-nos. Os que pouco podem fazer aproximam-se.
Devíamos ir todos a votar, mas votar em branco, para manifestar que as eleições, como se processam, são uma autêntica burla.
Tudo tem que voltar ao passado, em que o poder surge da periferia e irradia ao centro.
O poder está nas mãos dos que sabem e não dos que nada sabem fazer. É politiqueirice ou pantominice não para nos divertir, mas para nos preocupar…
Senhores candidatos, deixem de se guerrear, digam quem são e o que pensam para sabermos em quem votar.

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