Opinião: Acidentes?

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Em 11 de Setembro de 1985, quando se deu o desastre ferroviário de Alcafache não governava ainda Portugal Aníbal António Cavaco Silva, que só se tornou primeiro-ministro em 6 de Novembro deste ano.

Eram conhecidas as causas tecnológicas do desastre pois: “Acidentes ferroviários acontecem infelizmente em qualquer parte do mundo. Mas o que tornou este acidente ainda mais chocante foi a inexistência de meios tecnológicos de comunicação entre maquinistas, os chefes de estação e o centro de controlo de Coimbra.” ( 1 )

No seguimento deste problema, Cavaco Silva, decidiu não aproveitar as possibilidades trazidas pela nossa adesão à CEE depois EU, incluindo as ideias de Jacques Delors quanto a redes transeuropeia de transportes e preferiu ir encerrando linhas, isolando as populações trasmontanas que, com isso, só ganharam no passado dia 25 de Abril de 2019 um Museu Ferroviário em Bragança, que está localizado no centro desta cidade, mais propriamente no edifício da antiga estação ferroviária, que se encontrava encerrado ao público desde 2002, reabrindo agora dentro da Rede de Museus Ferroviários. Contudo, o Apeadeiro Jacques Delors – A na Linha do Tua, situada em Mirandela, inaugurada em 28 de Julho de 1995 já está sem serviço.

Pior aconteceu em Coimbra, onde, com base em promessas de José Sócrates, se encerrou uma linha centenária em 1 de Dezembro de 2009 e não se ganhou qualquer Museu Ferroviário, procurando-se somente esquecer as falhas continuadas e recorrentes na gestão da CP e na do país.

De facto, Portugal vive continuadamente de ilusões quanto às qualidades dos partidos do arco da governação, construindo dessa forma um Interior com graves problemas de sustentabilidade, enquanto apoia irracionalmente um sistema bancário nacional, cuja gestão é catastrófica, sacrificando muitos recursos nacionais para o manter, mas sem nunca o controlar e aqui não faltam meios tecnológicos de comunicação tal como vemos quando entramos em qualquer agência bancária.

Somos também alertados para as sucessivas falhas de construção da Boeing que informou há dias “que está em progresso a certificação de seus aviões suspensos 737 MAX após a atualização de um software para corrigir os erros do sistema. De acordo com a empresa, foi completado um teste final antes do voo de certificação.” (https://br.sputniknews.com/americas/2019043013780071-boeing-737-max-erros/, acesso em 1 de maio de 2019 ).

Também as alterações climáticas, provocadas pelo atual sistema de produção capitalista, estão por estudar, embora alguns animais já se estão a adaptar.

Só os seres humanos continuam alheados deste problema.

Pensam só em cifrões de um sistema financeiro que não pensa controlar.

É porque não querem?

( 1 ) Neill Lochery – Portugal saído das sombras, Editorial Presença, 2017, p.158.

 

Aires Antunes Diniz escreve à segunda-feira, semanalmente

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