Opinião – A riqueza dos políticos e titulares de altos cargos públicos

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“No meio de um povo geralmente corrupto a liberdade não pode durar muito”
(Edmund Burke, político inglês do seculo XVIII)

Ainda que tendo de ser submetida a uma votação final no Parlamento, segundo o “Correio da Manhã”, do dia 5 deste mês, os deputados aprovaram uma lei que vai dificultar a verificação dos rendimentos e património de quem exerce cargos políticos e altos cargos públicos.
Pronunciando-se sobre ela, João Paulo Batalha, presidente da Associação Transparência e Integridade, lança o alerta: “É a opacidade total. É uma lei para reduzir a transparência, a capacidade de escrutínio e branquear más condutas”!
Bem eu sei a dificuldade em combater a corrupção, hidra de sete cabeças, que uma delas degolada logo outra surgia em sua substituição. Aliás, esta hercúlea dificuldade em combater a corrupção foi reconhecida por Alan Greenpan, figura respeitável no domínio da economia norte-americana dos nossos dias, quando escreve: Corrupção, peculato, fraude, todas estas são características que existem por todo o lado. É lamentavelmente a forma como a natureza humana funciona, quer queiramos ou não. O que economias bem-sucedidas fazem é mantê-las no mínimo. Ninguém, alguma vez, conseguiu eliminar qualquer destas coisas”.
A causa desta desgraça, que mina a economia dos países, trazendo ao de cima as suas fragilidades éticas e morais, é atribuída pela esquerda aos países capitalistas. Todavia, “pelo factos serem sagrados e os comentários livres”, segundo G.P.Scott, os factos demonstram que ao socialismo cabe a quota maior.
Haja em vista o caso da antiga República Democrática Alemã e República Federal Alemã que tinham separá-las o “Muro de Berlim” que o “nonsense” servia aos comunistas para atribuírem, a esta muralha de betão, a finalidade de evitar que os alemães da parte ocidental fugissem para a parte oriental. E isto já para não falar do caso das duas Coreias, a do Norte e a do Sul.
A lei citada no princípio deste texto, curiosamente aprovada, quiçá por problemas de má consciência, pelo PCP, BE, PS e o próprio CDS, e reprovada pelo PSD, em vez de combater a corrupção daria ao corruptos e corruptores a possibilidade de varrer para debaixo do tapete todos os escândalos a serem noticiados pelos media, mas abafados pela chamada “lei da rolha”!
Encaremos, agora, o caso português visto, anos atrás, na imprensa estrangeira. Segundo um artigo de Daniel Kaufmman, edição de Revista Finance & Development, editada pelo Fundo Monetário Internacioana (Setembro, de 2005 ) ,“Portugal poderia estar ao nível da Finlândia se melhorasse a sua posição no ranking de controlo da corrupção”.
Termino com uma pergunta: não seria a aprovação desta medida no Parlamento uma machadada na Liberdade de Imprensa permitindo que os seus usufrutuários continuassem a apregoar as sua virtudes ao serviço da “res publica” e escondendo o vício privado dela se servirem para aumentarem vertiginosamente o seu património pessoal de origem mais do que duvidosa? Não se apagam fogos de corrupção com a gasolina da permissividade que os atiçam!

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