Livro revela percurso de Pezarat Correia, “um rebelde competente”

Há dois anos, Pedro Pezarat Correia concluía, na Universidade de Coimbra, o doutoramento com a tese “Descolonização: do protonacionalismo ao pós-colonialismo”. Fazia-o no seguimento das aulas de geopolítica e geoestratégia que lecionou na Faculdade de Economia. Foi em 2017. O general e capitão de Abril tinha 85 anos.
“É uma personalidade com um percurso fascinante. Das coisas que mais atrai nele e mais me encanta é esta energia inesgotável. É um caso muito raro de longevidade física e de lucidez intelectual”, conta Maria Manuela Cruzeiro, autora do livro “Pezarat Correia, do lado certo da história”, que é apresentado amanhã, às 19H00, no Café Santa Cruz. Trata-se de uma longa entrevista a Pezarat Correia que é – como refere Rui Bebiano no prefácio – “um livro de memórias indispensável para a compreensão da nossa história recente e das escolhas que a foram compondo”.
Pezarat Correia, oficial reformado desde 1986, fez seis comissões de serviço durante a guerra colonial, na Índia, em Moçambique, em Angola e na Guiné-Bissau. E “quis ficar do lado certo da história”. Também por isso – como refere Manuela Cruzeiro –, Pezarat Correia “não é um contestatário de última hora”. “Preparou, sonhou longamente com o 25 de Abril”.
“É aquilo que eu considero um rebelde competente, como lhe chamou José Manuel Pureza”, acrescenta a investigadora do Centro de Estudos Sociais da UC.
Aderente, desde as suas origens, ao Movimento dos Capitães, depois MFA, a que se deve o 25 de Abril, estava em Angola onde assumiu, por escolha dos camaradas, funções de responsabilidade no MFA. Maria Manuela Cruzeiro refere que Pezarat Correia, “tentou sempre o derrube do regime. Apesar disso, nunca aceitou que essa rebeldia fosse tomada por irresponsabilidade ou cobardia”.

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