Ex-presidente do IHRU diz que há 46 casos irregulares na reconstrução de casas em Pedrógão Grande

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O ex-presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) Victor Reis afirmou hoje, no parlamento, existirem 46 situações de irregularidades no processo de reconstrução de casas na sequência do incêndio de junho de 2017 em Pedrógão Grande.

“Em vários momentos houve afirmações no sentido de que seriam cinco, seis ou sete casos, dez casos, 20 casos, pois bem são muito mais do que 40” situações de irregularidades na reconstrução de casas, revelou.

Victor Reis ocupou o cargo de presidente do IHRU entre 2012 e 2017, tendo acompanhado a fase inicial do processo de reconstrução de casas afetadas pelo incêndio de 17 de junho de 2017 em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria.

No âmbito de uma audição na comissão parlamentar de Agricultura e Mar, requerida pelo CDS-PP, na Assembleia da República, em Lisboa, o ex-presidente do IHRU precisou que são 46 as situações de irregularidades na reconstrução de casas, que se localizam “em 25 aldeias de Pedrógão Grande”.

“Em concreto, são 28 habitações não permanentes que beneficiaram dos apoios para a reconstrução, seis habitações não permanentes ou permanentes que não arderam e que beneficiaram desses apoios, cinco construções não habitacionais que foram transformadas ou preparadas para serem transformadas em habitação e quatro construções novas erigidas em locais onde antes não existia qualquer edificação para as quais não há qualquer justificação em virtude de qualquer processo de realojamento”, avançou Victor Reis.

A estes 43 casos descritos, o ex-presidente do IHRU acrescentou a existência de “três situações que, em resultado das denúncias que em julho de 2018 ocorreram por via da comunicação social, estavam os processos prontos a avançar, mas cujas obras, precisamente em resultado destas denúncias, não chegaram a concretizar-se”.

O incêndio que deflagrou em 17 de junho de 2017 em Escalos Fundeiros, no concelho de Pedrógão Grande, e que alastrou depois a municípios vizinhos, nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco, provocou 66 mortos e 253 feridos, sete deles com gravidade, e destruiu cerca de 500 casas, 261 das quais eram habitações permanentes, e 50 empresas.

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