Estudantes dizem que “Alcoholocausto” saiu e desfilou no Cortejo

“Não é preciso ostentar o seu nome. Ninguém traz, permanentemente, o seu nome escrito na testa. Ele faz parte de cada um”. É desta forma que, em comunicado, os Novos Fitados de História 2018/2019 reagem aos acontecimentos que antecederam o cortejo da Queima das Fitas, ocorrido no domingo. Recorde-se que os estudantes pretendiam desfilar com um carro a que deram o nome de “Alcoholocausto” e onde ostentariam o símbolo de um comboio. Depois de tornada pública a intenção dos estudantes, a direção da FLUC interveio e o carro saiu sem nome. Hoje, porém, em comunicado, os alunos foram claros: “quer queiram, quer não, o carro Alcoholocausto saiu e desfilou no Cortejo da Queima das Fitas de 2019”.

Os estudantes lançam ainda duras críticas sobretudo a dois colegas de faculdade que promoveram uma manifestação para evitar que o carro integrasse o cortejo, caso ostentasse o nome inicialmente previsto.

“Era, apenas e só, o nome de um carro integrante do Cortejo da Queima das Fitas, o qual terminaria no final do cortejo, no amontoado de destroços que são deixados anualmente. Assim não quiseram. Sentiram-se ofendidos e indignados. Tudo isto apesar de se basearem em premissas falsas ou construídas por mentes eruditas, mas enviesadas”, pode ler-se no comunicado.

Os novos fitados referem ainda que “as pessoas que iniciaram este processo (…) trataram de supor que os membros assumiam uma posição de negação do acontecimento, que o queriam tratar de forma jocosa e, pasme-se, foram logo apelidados de antissemitas, entre muitos outros impropérios. O Roberto Benigni é um herege por ter feito uma comédia com o tema…”, ironizam.

Referindo-se aos professores que denunciaram o assunto, os alunos em causa escreverem que “estas mentes, apesar de alguns até serem professores na Faculdade de Letras, revelaram uma tacanhez de espírito brutal. Uma inaptidão para potenciar um diálogo honesto, franco, construtivo e sem condições”.

Depois de um imenso espaço dedicado a Miguel Monteiro, estudante de doutoramento na FLUC e que foi um dos autores da petição que exigia que o carro de História mudasse o nome ou fosse impedido de participar no cortejo, e a quem se referem como tendo sido “o criador e principal instigador deste ódio” , o texto, assinado por Fernando Pimenta, membro da comissão de carro de história 2018/2019, critica as “pessoas que  construíram algo que extravasou o simples nome de um carro num cortejo…”

“ Muito provavelmente, o Alcoholocausto não morrerá aqui, embora fosse essa a vontade da Comissão. O carro terminava a sua função aquando do final do cortejo. Perante todo este alarido, é muito provável que outros peguem nisto e sigam em frente. Em que direção, não se sabe”, pode ler-se no comunicado, que pode ser lido na íntegra em https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=398172507699522&id=158458381670937&__tn__=K-R.

5 Comments

  1. Zé Estêvão says:

    Com o dinheiro que estão a gastar façam uma visita de estudo a Auschwitz e vejam. Mais nada.

  2. Zé Canhica says:

    Interessante seria perceber o porquê de esta notícia não ter saído na edição em papel. Será que continuam a proteger os colaboradores e só merece atenção o que for escrito por eles? Estranha este tipo de "liberdade de imprensa" que parece estar ao serviço de alguém…

  3. Maria João says:

    Pior a emenda que o soneto. Quando finalistas do curso de História não compreendem as justas críticas de que são alvo, por quererem deturpar o sentido histórico das coisas ao banalizar um acontecimento horrendo satirizando-o, eu só posso concluir que quem os foi passando de ano, nos diversos anos que levaram a fazer cruzes em testes, também tem alguma responsabilidade nisto. Se calhar todos temos, por sermos tão permissivos que só agora, que a questão toma estas proporções, é que acordamos. Misturar "Holocausto" e "álcool" num metáfora que dá nome a um carro alegórico é não só sinal de falta de respeito pelos milhões de mortos, como também um tiro ao lado. Que mensagem pretendiam passar? Por que foram tão mal sucedidos em fazerem-se entender? Por que escolheram um tema que gera tanto horror para criticarem o ensino ou o abuso de álcool? (abstiverem-se na queima??) Ah, e já agora por que, depois da mensagem não ter conseguido passar, teimam em dizer que desfilaram com os mesmos intuitos que tinham? ( será masoquismo?)

  4. josé santos says:

    a bela da educação à moda velha…não sabiam o bem que lhes fazia.esta situação deve-se ao facto de estarmos a lidar com meninos e meninas ultra mimados .anda o dinheiro dos nossos impostos a ser gasto para formar futuros operadores de call center ou caixas de supermercados.

  5. Deolinda Correia says:

    Deturpar o sentido das coisas é uma estratégia conhecida de quem quer fazer valer a sua opinião, neste caso mostrando que não foram sensíveis aos argumentos dos que se oposeram a essa ofensa às vítimas do holocausto. Estes alunos que continuam a defender esta forma de se mostrar no cortejo da Queima não são " brincalhões" são criaturas que relembram, gozando, esse crime contra a humanidade. Não se pode escamotear esta realidade: há alunos defensores do nazismo aqui, em Coimbra, aqui em Portugal. E o que é mais tenebroso é que são alunos de História! A breve prazo estarão a ensinar crianças e jovens. São perigosos!

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