Cristas recusa aproveitamento político em visita às zonas queimadas de 2017

 

 

 

FOTO ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Assunção Cristas voltou hoje à campanha europeia do CDS para ver “os resultados” das suas visitas a Oliveira do Hospital, Coimbra, afetado pelos incêndios de outubro de 2017, onde a D. Laura já tem a casa pronta.

No segundo dia oficial de campanha eleitoral para as europeias de 26 de maio, a líder centrista esteve, com o cabeça de lista do partido, o eurodeputado Nuno Melo, na aldeia de Vilela, onde continuam a existir muitas casas por reconstruir, como acontece nas aldeias de Vilela, concelho de Oliveira do Hospital, e Valongo, separada por um vale, mas que fica no concelho de Tábua.

Uma exceção, entre outras, é a D. Laura, de 95 anos, sentada à sombra, à porta da casa, onde falou com Cristas e Nuno Melo, ainda hoje recordando, em lágrimas, a “antiga casinha”, destruída pelas chamas há um ano e meio. E manifestamente espantada por ter à sua volta tantas câmaras e microfones de jornalistas.

A líder centrista visitou-a em dezembro último – “estava frio nesse dia” – e as obras estavam atrasadas. As notícias “deram visibilidade” ao problema, as obras aceleraram e a senhora muda-se no sábado para a nova morada.

Esta é uma visita que pode ser encarada como aproveitamento político?, questionou o jornalista. Mas Assunção Cristas diz que não e resume que se trata de “estar perto das pessoas”.

“É o compromisso com as pessoas a quem dissemos que não abandonávamos e que voltaríamos todas as vezes que fosse necessário”, disse, reclamando que visitas anteriores deram resultados e podem ter ajudado a acelerar obras.

Enquanto passava a comitiva de carros do CDS, que entupiu a estreita estrada entre Vilela e Valongo, em algumas casas ouviam-se trabalhadores a fazer obras, a pintar.

Mas pode ser um engano, segundo Fernando Pereira, do Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões, ao explicar que o que o preocupa são as pessoas que, por diversos motivos, alguns deles burocráticos, não conseguiram ver as suas casas reconstruídas e não entram nas percentagens do Governo.

Cristas justificou a sua deslocação por que só assim se poderá ir além dos números oficiais e “ver a recuperação lentíssima” da recuperação das casas, acrescentou ainda.

“Para lá dos números que o Governo gosta de apregoar, há situações concretas, de pessoas concretas que continuam, um ano e meio depois dos incêndios, sem as suas situações resolvidas”, afirmou ainda.

Depois das visitas que fez, como foi o caso da D. Laura, “alguma coisa muda”, disse.

“Olhar à volta e ver que os fundos” comunitários não estão a ser bem utilizados foi outra preocupação dos dois dirigentes centristas na visita ao fim da manhã a Oliveira do Hospital.

Os campos estão verdes, mas contimuam a ver-se muitas árvores queimadas, nos vales e nos montes por onde andaram os centristas hoje de manhã no distrito de Coimbra.

Durante a manhã, a campanha do CDS foi dedicada “às acessibilidades” e aos problemas que as indústrias da zona de Vila Nova de Poiares têm em escoar produtos.

Nuno Melo chegou num camião TIR a uma das empresas do parque industrial e, depois, ouviu as explicações de Paulo Carvalho, da Associação Empresarial de Vila Nova de Poiares, do projeto já sugerido ao Governo de construção de uma espécie de variante para tornar mais rápida a viagem até ao IP3, que, com trânsito, pode levar 40 ou 45 minutos.

Enquanto andava a visitar a fábrica, o eurodeputado foi questionado se era guloso, ao que respondeu que sim, e se gostava de laranjas, fruta e símbolo do PSD. Com uns sorrisos pelo meio, respondeu: “Nós gostamos muito de comer uma boa laranja, no CDS”.

A comitiva visitou depois, a pouco metros, a Nutriva, uma fábrica que começou em 2005 com 15 trabalhadores e hoje tem 155, fabrica bolos, pão, comida pré-feita e exporta muito para a Espanha, “um mercado estratégico”, segundo um dos administradores da empresa.

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