Couro ‘vegan’ a partir de serradura, cortiça e borras de café chega ao mercado em 2020

Jovens investigadores e engenheiros estão a fazer ensaios numa fábrica em Cerveira, distrito de Viana do Castelo, para comercializar em julho de 2020 um tecido especial de couro ‘vegan’ criado a partir de cortiça, serradura e borras de café.

A equipa de especialistas, com uma dúzia de engenheiros químicos e biológicos oriundos das áreas da borracha, papel, cortiça, tubos ou farmacêutica, está a criar os protótipos de couro ‘vegan’ para que no próximo verão possa comercializar um produto mais ecológico.

O objetivo é reaproveitar desperdícios de indústrias da madeira, cortiça e cafeeira e fazer uma espécie casamento com as tecnologias de ponta e com inovação para que no futuro o setor da moda e do vestuário, mas também o setor automóvel com os estofos dos bancos, o imobiliário com mesas e sofás revestidos a tecido de cortiça impermeável, ou calçado e a arquitetura possam usufruir de soluções mais sustentáveis que ajudem a diminuir a pegada ecológica, explicou o diretor de operações da Tintex, Ricardo Silva.

“Esta tecnologia não vai acrescer muito o custo se olharmos ao mesmo tipo de produto e ao mesmo tipo de material. Creio que no máximo vai acrescer uns 5%, mas isso vai depender também da marca, mercado, conceito”, observa o jovem Ricardo Silva, 27 anos, a segunda geração envolvida na administração da Tintex e que acumula atualmente o cargo de administrador da empresa com o pai Mário Silva.

Licenciado em Engenharia pela Universidade do Porto, Ricardo Silva revela que tem vários parceiros interessados em comprar o couro ‘vegan’ e que no decorrer da descoberta e dos ensaios rapidamente perceberam para este produtor não se poderia cingir apenas à moda, havendo muitos mis mercados interessados.

Diminuir a pegada ecológica do setor têxtil e do vestuário, um dos cinco mais poluidores no planeta, está no ADN (informação genética) da Tintex, empresa criada em 1998 e que acabou de receber o ‘German Design Award 2019’.

O prémio foi para o Picasso, projeto que usa processos de tingimento naturais através de extratos de cogumelos e plantas como tomilho, pimenta, hortelã-pimenta, bem como de resíduos de árvores exóticas da América do Sul.

Com o projeto de poupança de água em parceria com uma ONG alemã e outra do Bangladesh, a Tintex baixou para um gasto de 473 litros para produzir a mesma peça de roupa desde o processo da fibra, fiação, tricotagem, tingimento e acabamento.

A Tintex Textiles, criada como tinturaria, é hoje considerada uma “referência mundial no desenvolvimento e produção de materiais sustentáveis”, designadamente as malhas inteligentes e mais sustentáveis, usando fibra de milho, soja e bambu.

 

Por LUSA

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