Autores de “Alcoholocausto” vestiram caloiros de judeus na Latada

O “fascínio” não é de agora: em outubro do ano passado, no Cortejo da Festa das Latas, os “doutores” do curso de História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra desafiaram os caloiros a vestirem-se de judeus e nazis. Serão os mesmos que pretendiam, no próximo domingo, no cortejo da Queima das Fitas, desfilar com um carro a que deram o nome de “Alcoholocausto” e onde ostentariam o símbolo de um comboio. A conjugação do verbo não é inocente. Depois de tornada pública a intenção dos estudantes, a direção da FLUC interveio e os estudantes terão garantido que no domingo o carro desfilará sem nome.
Ao DIÁRIO AS BEIRAS, José Pedro Paiva disse que, após “várias” reuniões realizadas com os alunos em causa, estes acordaram “que o carro integrará o cortejo, mas sem nome”. O responsável [da árae de História] não quis pronunciar-se sobre o assunto, dizendo tratar-se “de uma celeuma criada nas redes socias”.

Catarina Martins, professora da FLUC e um dos rostos do coro de indignação que depressa se ergueu na internet, acredita que o responsável da faculdade quer desvalorizar o assunto para que a FLUC não fique com a imagem institucional beliscada”.
“ A direção fez o que devia fazer, mas os professores estavam já organizados para sair com um abaixo-assinado, caso a teimosia prevalecesse”, afirmou a docente.
Ainda assim, Catarina Martins diz que a comunidade académica vai estar atenta ao que vai acontecer no domingo. E não é a única.
Miguel Monteiro, estudante de doutoramento na FLUC, foi um dos autores da petição que exigia que o carro de História mudasse o nome ou fosse impedido de participar no cortejo – ontem já tinha sido assinada por mais de 550 pessoas. Foi, também ele, um dos organizadores da ação que está prevista para domingo, no cortejo, e que visa “bloquear o carro” em causa. A iniciativa mantém-se, apesar do “aparente revés” dos “novos fitados”. Porquê? “Porque temos a informação que os estudantes pretendem dar o dito por não dito e manter o nome do carro. Enquanto não tivermos uma certeza, permanecemos atentos. E estaremos lá”, adiantou.

“Alguns são e reproduzem
um discurso antissemita”
Adriana Bebiano foi uma das professoras da FLUC a falar diretamente com os estudantes em causa. “Não podemos identificar todos, mas alguns são e reproduzem um discurso antissemita”, disse ontem ao DIÁRIO AS BEIRAS. Para a docente, tanto o nome de carro como o comboio (que tem como referente os comboios de deportação de milhões de seres humanos para os campos da morte), são “uma brincadeira de mau gosto e de falta de respeito pelo holocausto, pela memória do maior genocídio da história ocidental moderna e uma falta de noção do que é a responsabilidade implicada no conceito de liberdade de expressão”.
“O respeito pela memória mais trágica da história europeia, devia fazer parte da ética e, já agora, constituir o cerne da formação em História”, notou.
Para Catarina Martins, o argumento da “liberdade de expressão” dado pelos alunos cai por terra quando se trata de um genocídio.
“A herança de 25 de Abril é da defesa da liberdade com garantia de direitos e respeito pelas diferenças, o que implica o combate de tudo que possa conduzir à repetição de fascismos. Banalizar a história dos fascismos é uma estratégia que serve para fomentá-los”, adverte. Por essa razão, independentemente do que possa vir a acontecer no cortejo, os professores deverão tomar uma posição pública sobre este assunto.

“Não falamos”
Num texto partilhado no facebook, Helena Araújo, portuguesa radicada em Berlim, pede aos alunos que “teimam em chamar Alcoholocausto ao seu carro que mostrem a cara”. “Não se escondam atrás de um vago “Novos Fitados de História 2018/2019”, digam quem são, deem a vossa cara e o vosso nome”.
O DIÁRIO AS BEIRAS tentou. “Vamos repetir: se quiserem falar, falamos sem qualquer problema após dia 5 de maio. Antes não falamos com ninguém. Resto de bom dia”, responderam, através de uma mensagem. Sem dar a cara.

14 Comments

  1. Eugénio Calado says:

    Eis aqui uma cara. Criadora do "frame" para fotos de perfil do Facebook alusivo à obra-prima que criaram. Chama-se Raquel Fagundes. É bom que ao longo da sua vida se possa orgulhar do seu feito. https://www.facebook.com/raaquelfagundes?__tn__=%

  2. FGCosta says:

    Mau gosto. Ignorância. Mas talvez os responsáveis devam ser procurados junto de quem banalizou a terminologia de nazi e nazismo. Para gente que não viveu nem tem a perspectiva histórica do que foi o terror nazi, é natural que não vejam assim tão grave algo com que se rotulam os regimes que neste momento governam os EU, o Brasil a Itália, a Hungria, ou a Polónia, e se apelida tudo e todos os que não alinhem no politicamente correto. Até quem colocar duvidas às causas das alterações climáticas é apelidado de pró-nazi (negacionista). Portanto, está -se a colher o que se semeou….

  3. Ana Almeida says:

    Grave, muito grave este procedimento. Sem coragem em dar a cara refugiam-se cobardemente na praxe académica, que de nada tem nem de praxe, nem de académico. Ascincalhar o povo judeu e o holocausto é vergonhoso. Estes jovens são cidadãos muito mal formados. Servem-se de um estatuto de academia para promoverem tudo o que lhes dá na real gana. Espero que a Universidade ponha cobro a este desmando

  4. Portugueses colonialistas e agora fascistas.

  5. amatos63 says:

    Uma coisa não entendo, se havia 12 milhões de pessoas na logística do Exército alemão, por que razão os nazis decidiram matar metade?

  6. Paulo Patrão says:

    Ignóbeis, lixo humano … A faculdade nada faz, compete então à reitoria a suspensão imediata da matricula destes “iluminados” !!!

  7. Carmo Romao says:

    Não creio que seja antisemitismo mas ignorância. Com o dinheiro que estão a gastar façam uma visita de estudo a Auschwitz e vejam. Mais nada.

  8. Preocupem-se e que as bebedeiras vergonhosas, com os banhos de cerveja e com a tradição que se está a adulterar…. até se podem molhar uns aos outros, mas não molhem quem nao quer ser molhado e o publico… ja nem valo dos trajes de minissaia…

  9. estevesayres says:

    Para aqueles que dizem que não houve holocausto e que o Hitler e Salazar era um santo!!!
    https://www.google.com/search?q=imagens+holocaust

  10. Isto é o resultado das medidas curriculares impostas por este governo m medias iniciadas no governo de José Socrates a nível do ensino Básico / Secundário em que vale tudo menos aprender / ensinar ….

    • Não percebi nada… de que medidas exactamente é que está a falar?

    • Não faço ideia nenhuma dos programas curriculares do que o Pedro está a falar, que terão sido introduzidos pelo Sócrates, que justificarão a ignorância sobre o nazismo. Acho que lhe apeteceu falar do Sócrates 😉 Mas sempre lhe digo que se dá mais importância na escola hoje em dia à História contemporânea e moderna do que no meu tempo de miúdo, há quase cinquenta anos. Nessa altura não se aprendia quase nada sobre o nazismo. História do séc XX quase não existia. Existe hoje muita mais exigência e discussão na escola sobre o século XX. Basta ver os manuais. No meu tempo eram as datas e as dinastias, tudo empinadinho e cantado. Quem queria aprender mais, era por fora… Eu tenho um filho de 16 anos que sabe mais sobre o assunto do que a maior parte das faixas etárias dos 60 em diante. Esses aí da notícia são mesmo voluntariamente ignorantes e insensíveis…

  11. Passou de Socrates, para António Costa, sem ter passado por Passos? ATINA.

  12. Ana Scherer says:

    Expulsão da universidade e processo legal contra esses infelizes! Não é possível passar a mão na cabeça deste tipo de acto imbecil.

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