Violência dá o mote à Queima e Rebentamento do Judas em Tondela

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A violência vai ser o mote da Queima e Rebentamento do Judas em Tondela, um espetáculo de teatro comunitário de rua que contará com a participação de mais de duas centenas de pessoas, no dia 20.

“À nossa maneira, vamos retratar neste Judas os sinais que atravessam o nosso dia-a-dia, o nosso quotidiano e depois a nossa vida, com esse elemento fortíssimo que é a violência”, disse hoje Pompeu José, coordenador geral do espetáculo do Trigo Limpo Teatro ACERT, em conferência de imprensa.

Na sua opinião, “se não se mudarem as mentalidades, a violência continua a ser uma solução imediata dos problemas”.

O espetáculo, que tem como subtítulo “Quanto + me bates + eu gosto de ti”, abordará o tema da violência com ironia.

“Achamos que a melhor forma de tratar os assuntos sérios é a rir deles. Vai ter uma tourada, coisas com graça, mas terá que ter momentos efetivamente fortes e marcantes”, avançou.

Pompeu José frisou que, tão importante como o espetáculo, que habitualmente reúne milhares de pessoas de vários pontos do país, é a semana anterior, durante a qual é construído.

Segundo o ator e encenador, no dia 14 haverá uma reunião na qual “é apresentado o plano, os desenhos, as ideias que há” e depois, “de segunda a sábado, é tudo construído, quer os objetos, quer a música que é ensaiada, quer os movimentos” que serão depois apresentados no espetáculo.

“Quanto mais gente participar, melhor para nós, mais sentido é dado. A equipa do Trigo Limpo e alguns profissionais que são nossos parceiros enquadram os voluntários”, que nos últimos anos têm sido mais de 200, contou.

As oficinas da Fábrica da Queima decorrem durante o dia mas, segundo Pompeu José, haverá também uma a partir das 20:00, para as pessoas que trabalham.

“O Judas mais do que um espetáculo, é uma celebração”, sublinhou.

A ACERT realiza, desde 1996, a Queima e Rebentamento do Judas, uma celebração de raiz ancestral que critica os “males” do ano anterior.

José Rui Martins, da direção artística do Trigo Limpo Teatro ACERT, avançou que o resultado do peditório que será feito aquando o espetáculo reverterá para as vítimas da tragédia de Moçambique.

Esta será apenas uma das ajudas que a ACERT pretende dar, estando a ser preparadas iniciativas em articulação com a Fundação Fernando Leite Couto, acrescentou.

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