“Vamos ser a grande surpresa tal como nas eleições legislativas” – Entrevista exclusiva com o candidato do PAN às Europeias

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Francisco Guerreiro

Em que medida o desenrolar da política interna vai ter efeitos na votação de 26 de maio?
Cremos que seremos, tal como nas legislativas de 2015, a grande surpresa destas eleições europeias. Durante estes 3 anos e meio de legislatura temos demonstrado que é possível trabalhar tanto à Esquerda como à Direita, indo mesmo contra os entrincheiramentos ideológicos que barreiram a aprovação de medidas positivas para o país. Conseguimos, com apenas 1 deputado em 230, romper com o cinzentismo da política tradicional e alcançar medidas estruturantes para o país, das quais salientamos a criação do Estatuto Jurídico do Animal, a dedução em sede de IRS de despesas médico veterinárias, o fim dos abates em canis municipais, o fim do uso de animais selvagens em circos, a inclusão da opção de menus vegetarianos em todas as cantinas públicas, a contratação de psicólogos e nutricionistas no Serviço Nacional de Saúde, a presença de intérpretes de língua gestual nas urgências públicas, a implementação de uma tara recuperável para embalagens de plástico, de metal e de vidro, e o fim da isenção do pagamento do Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) para as electroprodutoras mais poluidoras do país, nomeadamente as que produzem electricidade a partir de carvão. No panorama político nacional, fora a ascensão do PAN, não vislumbramos grandes alterações das dinâmicas parlamentares, logo o tabuleiro para as europeias não se deverá alterar substancialmente.

Pode o PAN, nesta eleição, beneficiar do efeito charneira que lhe tem sido identificado, no cenário político de Portugal?
O PAN tem beneficiado do seu próprio trabalho e da sua crescente implementação no território. Recentemente, para além dos espaços que já temos em Lisboa e no Porto, abrimos outros em Faro, Aveiro, São Miguel e muito em breve abriremos em Setúbal e no Funchal. Já nas últimas Autárquicas fomos o partido que mais cresceu em representação: elegemos autarcas municipais na larga maioria dos municípios aos quais nos candidatámos. Este trabalho, de proximidade, trazendo à política uma nova forma de estar, tem sido reconhecido pela sociedade civil. Mas há também cada vez mais pessoas a pensar e a agir como o PAN, por não se reverem nas políticas dos partidos tradicionais que apresentam as mesmas soluções de séculos passados para problemas do século XXI. É factual que existe uma erosão nos partidos tradicionais, tanto à Esquerda como à Direita, por serem iguais na forma como produzem a riqueza, ou seja, através do extrativismo e do produtivismo sempre com o apanágio do crescimento económico infinito. Estes exemplos podem-se verificar em países liberais, neoliberais, socialistas, ecosocialistas, comunistas, entre outros, um pouco por todo o mundo.

Qual a mais-valia do PAN no contexto de uma eleição para o Parlamento Europeu?
A mais valia de finalmente termos um representante ecologista português em Bruxelas. Queremos também dar continuidade ao árduo e determinado trabalho que temos realizado na Assembleia da República e nas dezenas de Assembleias Municipais. A nossa entrada no Parlamento Europeu dará, também, voz política à melhoria das leis que protegem biliões de animais na Europa e são actualmente esquecidos pelos restantes partidos e famílias políticas.

A deriva populista de alguma Europa pode ter reflexos nestas eleições?
Em Portugal não cremos que o tabuleiro seja substancialmente alterado, porém verificamos que a nível europeu os ditos “euroincendiários” juntam-se para tentar formar um grupo de bloqueio ao projecto europeu, nomeadamente com a liderança de Matteo Salvini, de Itália, e de Marine Le Pen, de França. O falhanço dos partidos tradicionais de governação serve de combustível para o desalento de milhares de cidadãos e cidadãs na Europa, o que leva ao fortalecimento de populismos nacionalistas. Estes movimentos, diz-nos a História, rapidamente deslizam para autoritarismos e sistemas ditatoriais. O PAN, como Europeísta, até por estar na família dos European Greens, fará parte de uma frente democrática contra qualquer tido de extremismo no seio da União Europeia.

Entrevista completa na edição impressa de hoje

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