Opinião: O que nos falta

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Incomodados com o atual Estado do Mundo com notícias como a do anúncio das comemorações da Ditadura Brasileira de 1964 ou a do bombardeamento da Faixa de Gaza, enquanto a natureza indomável castiga os que vivem em territórios como Manica e Sofala, faz-nos duvidar se estamos a avançar civilizacionalmente ou se retrocedemos inexoravelmente. Já nem acreditamos que com malabarismos de palavras nos consigamos alegrar tal como aconteceu quando:

“Um dia fomos a Coimbra, Almada (Negreiros) estava doente e cansado ec ainda a trabalhar. Passámos pela Ota e ele, com um sorriso de jongleur, disse:
– Para Jota falta um Jota.1
Nem sequer recordamos que foi anunciado um aeroporto na Ota sem quaisquer estudos prévios que justificassem esta ideia e uma decisão que parecia já estar tomada. Correspondia a um malabarismo que nos foi encaminhando como otários para um resgate feito por uma troika, que não sabia o que fazia, pois mal se foi ficámos com quase todos os nossos bancos falidos.

Abriu-se apenas caminho para o aparecimento do Banco CTT, que tem provocado o encerramento de estações de correio como se isso fosse sinal de progresso. Esquecem-se agora todos de dizer que isso aumenta as dificuldades sociais e comerciais das aldeias, vilas e cidades do nosso Interior e provoca a destruição do que resta de coesão nacional.

Entretanto, fez-se o encerramento à socapa da Linha do Corgo em 24 de Março de 2009, algo que não comemoramos pois significou só o isolamento do nosso interior transmontano com o consequente retrocesso desta região. Quase na mesma altura, 1 de dezembro de 2009, foi encerrada a linha da Lousã, tendo-se prometido antes um Metro que nem chegou a ser milímetro, isolando ainda mais as populações do interior do distrito de Coimbra. Faltam-nos por isso mais elementos necessários para a nossa coesão territorial.

Por tudo isto no Interior não se nasce, só se morre e os padeiros encerram portas pois já ninguém come por lá o pão que amassam.

Ao mesmo tempo que isso acontecia, a Escola Pública começou a ser atacada pela Ministra Lourdes Rodrigues que procurava, assim, domesticar os professores para os transformar em mão-de-obra barata e envelhecida. Foi o que conseguiu tal como vemos, tornando a profissão docente pouco atrativa, preparando evitáveis problemas de renovação Humana da Escola. Foi o que Nuno Crato continuou como se isso fosse uma coisa inteligente. Mas, inteligência é coisa que sempre faltou a quem nos governa.

Só lhes sobra malabarismos verbais, com que vão propondo muitos sacrifícios que dizem sempre inevitáveis. Esquecem-se de dizer a razão por que não valeram a pena.
Continuam só a contar histórias mirabolantes para ganharem eleições.

1 Maria José Almada Negreiros – Identificar
Almada, Assírio e Alvim, 2015, p. 16

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