Opinião – É o conhecimento aplicado que pode fazer a diferença

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A única coisa que nos pode distinguir dos outros é o conhecimento que adquirimos e desenvolvemos, a capacidade de imaginar como pode ser utilizado de forma competitiva, em nosso benefício, dos outros e da sociedade em geral, e empreender no sentido de realizar, isto é, fazer transformações sociais e económicas tendo por base esse conhecimento. Portugal, e Coimbra em particular, não tem recursos naturais que permitam perspetivar a vida de outra forma. Tem beleza natural, qualidade de território e uma história rica e muito interessante, mas isso não é suficiente para, no essencial, construir e sustentar um futuro melhor. A realidade mostra-o sem margem para nenhuma dúvida, pelo que nem é necessário argumentar mais. O que nos pode distinguir são as pessoas – aqui formadas ou que fomos capazes de atrair – que nesta região valorizam e tiram partido do conhecimento desenvolvido. Qualquer estratégia para o futuro tem de ter essa ideia central em mente.
A mobilidade inteligente é importante, porque não há alternativa para fixar e realizar conhecimento, permitindo que se agregue, crie consórcios, crie sinergias e seja capaz de fluir na procura de oportunidades e de protagonistas.
Um ambiente cultural diversificado e excitante é importante, porque atrai conhecimento, estimula-o e permite que ganhe asas, se espalhe e veja novos mundos, novas formas de se realizar e, no essencial, se consiga colocar em perspetiva.
Uma vivência multicultural e cosmopolita é importante, porque o conhecimento procura diversidade, novas experiências, gosta de se expor, não teme a avaliação (na verdade procura-a), sente-se bem com a constante novidade.
Um ambiente organizado e preparado para o investimento é importante, porque o conhecimento é impaciente e muito focado, precisa de velocidade, precisa de apoio, tende a ser displicente nos detalhes e, muitas vezes, não se materializa porque a oportunidade não foi agarrada no momento certo, nem da forma mais adequada.
Um forte e diversificado mundo empresarial é importante, porque o conhecimento precisa de atividade económica e de músculo financeiro para se realizar. Para além disso, precisa de pessoas que entendam o risco, que não o temam, e saibam, por experiência própria, que a falha é só o caminho para o sucesso. No mundo real não há sucesso sem muitas, mas mesmo muitas, falhas, e esse conhecimento e experiência é muito valioso.
Sentir que tudo à nossa volta está preparado e os serviços de apoio existem e funcionam é essencial para tirar partido do conhecimento. Não se preocupar com isso é simplesmente não fazer a menor ideia de nada e uma forma de suicídio coletivo.
O que vejo em na região de Coimbra, desde há muito tempo, nem é só de agora, é uma total incapacidade de perceber aquilo que nos pode distinguir e ser capaz de criar riqueza e bem-estar na região. As opções não podem estar orientadas por ideologia política, mas sim, por uma correta identificação das nossas potencialidades, lançando as bases para que se desenvolvam e, no essencial, sejam suporte de uma qualidade de vida que todos ambicionamos.
Coimbra não precisa de se discutir. Precisa é de se assumir com coragem, afirmando os seus interesses e capacidades. Precisa de deixar de se queixar de todos, menos de si própria, nomeadamente quando se anula, submissa, a lógicas nacionais que a desmerecem. Precisa de deixar de ser provinciana e de pensar pequeno, procurando com determinação realizar aquilo que a pode diferenciar. Precisa de ter a coragem de se olhar ao espelho e ver a sua realidade: o rei vai nu. Precisa de deixar de viver do que fez no passado longínquo e ter saudade, sim, mas de um futuro que tem de construir. Por onde começar? Pelo espelho. Isso motivará escolhas conscientes.

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