Opinião – A Europa que deveria ser nossa!

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As eleições europeias servem para eleger os deputados do parlamento e, na sequência, constituem o preambulo para formação da comissão europeia, o Governo europeu.
Hoje, os países da União Europeia têm as suas políticas enquadradas por indicadores aprovados em Bruxelas, para além de estarem obrigados a apresentar pactos de estabilidade e crescimento que, mais uma vez, exigem aprovação comunitária.
Por outro lado, os países em convergência recebem fundos comunitários específicos para investimento público e privado, nalguns casos, o único estímulo ao crescimento económico individual. Dito de outra forma, com quase vinte anos de moeda única, os órgãos políticos europeus são mesmo essenciais e enquadram a nossa vida social, política e económica.
Claro que há uma tendência dos políticos nacionais, fazerem um discurso cá dentro e outro lá fora, como foi o caso do Ministro Centeno a propósito da austeridade. Em Portugal, virou-se a página, mas lá fora, a austeridade está bem presente. Não é caso único, aliás, é um caso banal. Talvez, por essas e por outras , os portugueses não gostem dos órgãos políticos europeus, não lhes reconheçam poder, nem importância.
Materializamos essa nossa falta de reconhecimento, através da elevada abstenção e do distanciamento que impomos aos titulares de cargos políticos europeus. Na política doméstica, o lugar europeu é conotado como reforma dourada, pouco escrutinada e, logo, mais apetecível. Sobre estratégia europeia, de um modo geral, sabemos todos pouco, mesmo os que mais gostam de política e economia. Não me parece que este estado de coisas tenha alteração a curto prazo.
Não temos paciência , por um lado, e as campanhas europeias são um eco dos problemas e quezílias nacionais. Não se discute nenhum problema estrutural, seja a demografia da Europa, o desemprego dos jovens, os nacionalismos ressuscitados que só poderão dar maus resultados, a falta de políticas integradas de imigração, a dicotomia entre os países do centro e norte, e os países do sul, que provoca perturbações na ordem social e na coesão europeia, a sustentabilidade da segurança social, entre vários outros assuntos, sobre os quais não se ouve nem muito, nem pouco.
Na realidade, a campanha para as eleições europeias é uma discussão que põe à prova o Governo em funções, e cujos resultados , consideramos de pouca relevância. Os candidatos, em muitos casos, repetem-se , noutros casos são ilustres desconhecidos , noutros ainda , são prémios políticos de final de carreira ou de promitente trampolim de carreira europeia.
Em qualquer dos casos, sentimos que aquilo serve para muito pouco, mesmo apesar dos principais poderes públicos estarem já mais lá do que cá.

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