Nova presidente quer FCT mais eficiente e não reconhecida por atrasos e problemas

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DR-Universidade de Lisboa

A nova presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Helena Pereira, espera que a agência seja reconhecida no país “por outras coisas que não atrasos e problemas”, ambiciona ter maior orçamento e conseguir mais eficiência no financiamento.

“Temos sempre que acreditar que os processos podem ser melhorados. Podemos ganhar eficiência nos processos. E eu parto com esta vantagem de ter dois anos como vice-presidente e de ter estado envolvida em muitos destes processos, do emprego científico, bolsas de doutoramento, dos projetos de investigação. Portanto, parto com essa vantagem de os conhecer e de estar, possivelmente, numa posição de pensar em introduzir melhorias que espero eu se traduzam em tempos mais curtos, processos mais sólidos”, disse à Lusa a nova presidente da FCT, Helena Pereira.

A nova equipa diretiva da FCT foi hoje aprovada em Conselho de Ministros, nomeada depois de ter chegado ao fim o mandato de Paulo Ferrão, agora substituído no cargo por Helena Pereira, que há dois anos desempenhava funções de vice-presidente da agência que é a principal entidade financiadora da ciência em Portugal.

Helena Pereira disse à Lusa esperar que a imagem nacional da FCT não seja apenas de “atrasos e problemas”, a que está associada por notícias frequentes de atrasos em concursos e bolsas de investigação, até porque, sublinhou, as taxas de sucesso dos concursos da FCT não se afastam muito, e por vezes são mesmo superiores, às médias europeias, em financiamentos atribuídos por organismos como o European Research Coucil (ERC).

E do ponto de vista de quem faz parte da comunidade científica e de quem já foi “cliente da FCT”, Helena Pereira defendeu também que a rapidez nas decisões não é necessariamente o cenário ideal, por muito que esse seja o desejo dos cientistas.

“Obviamente, o que gostamos quando estamos do outro lado é ter logo imediatamente a resposta, mas, por outro lado, também queremos que a avaliação seja uma avaliação séria, com avaliadores de reconhecida qualidade. Num país pequeno como o nosso em muitas situações têm que ser painéis internacionais, por causa dos conflitos de interesses que existem na nossa comunidade científica. Conjugar estas coisas todas dá que os tempos de resposta são de facto de alguns meses, nalguns casos perto de um ano, mas mais uma vez não muito diferente do que se passa noutras agências”, disse.

Helena Pereira, que assume o cargo perto do fim da legislatura, elogiou ainda o papel do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) enquanto “enorme defensor da ciência em Portugal, mas também na Europa”

“Fez a maior defesa que se pode fazer em relação ao financiamento da ciência em Portugal. Claro que o setor da ciência não é o único em Portugal, todos os setores, a saúde, a educação, também querem desenvolvimento. De qualquer dos modos, acho que foi conseguido um aumento muito significativo do aumento do financiamento para a ciência e é de louvar a atuação do ministro Manuel Heitor”, disse.

A nova presidente da FCT acredita ainda que a política de financiamento da ciência será de continuidade e não antevê mudanças na política científica que comprometam o “desenvolvimento fantástico, independente de quem eram os governantes” da ciência em Portugal nos últimos anos.

“Penso eu que toda a sociedade portuguesa acredita que a ciência é um fator de desenvolvimento importante, quer social, quer económico, estou muito confiante que Portugal continuará a apostar num desenvolvimento científico. E como tal esse desenvolvimento não está pendente de ciclos políticos”, disse.

Nascida em Coimbra em 1949, Helena Pereira é professora catedrática do Instituto Superior de Agronomia de Lisboa (ISA), licenciada em Engenharia Química-Industrial pelo Instituto Superior Técnico, doutorada pela Faculdade de Biologia da Universidade de Hamburgo, Alemanha e agregada pelo ISA.

Segundo a nota biográfica disponível no site da FCT, Helena Pereira já passou por vários cargos de gestão académica e científica, tendo sido vice-reitora e depois reitora da Universidade Técnica de Lisboa (que depois se fundiu com a Universidade de Lisboa) e presidido entre 2008 e 2010 à associação AMONET – Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas. Desenvolveu investigação na área das florestas e produtos florestais, incluindo bioenergia. Orientou 30 teses de doutoramento, e vários programas de pós-doutoramento e mestrados. Tem mais de 300 publicações científicas internacionais e duas patentes internacionais.

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