CDU encara fecho da Estação Nova como “machadada absoluta” na Baixa de Coimbra

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A CDU de Coimbra rejeitou hoje o encerramento da Estação Nova e alertou que o fim da ligação ferroviária ao centro da cidade dará uma “machadada absoluta” na mobilidade entre Coimbra B e a Baixa.

“O encerramento desta estação traz enormes prejuízos para a vida das pessoas”, disse Francisco Queirós, vereador da CDU na Câmara Municipal de Coimbra, presidida pelo socialista Manuel Machado.

O autarca comunista falava à agência Lusa, a propósito de uma concentração de protesto contra o encerramento da Estação Nova que a coligação do PCP e Verdes realiza hoje, às 17H30, junto ao complexo ferroviário, que funciona desde 1885.

No entanto, o atual edifício foi construído entre 1925 e 1931, segundo um projeto dos arquitetos Cotinelli Telmo e Luís Cunha.

Para Francisco Queirós, que vai participar na ação da CDU, o fecho da estação, justificado pela Infraestruturas de Portugal com a necessidade de realizar obras no âmbito do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), representará “uma machadada absoluta numa zona da cidade que já está profundamente deprimida”.

A Estação Nova, ou Coimbra A, faz parte do Ramal da Lousã, entre Coimbra B (Estação Velha) e Serpins, no concelho da Lousã, numa extensão de 35 quilómetros, desmantelado na década passada com a promessa de substituir o comboio por um metro ligeiro.

O projeto foi depois abandonado pelo atual Governo, tendo optado por um sistema de autocarros elétricos do tipo “metro bus”, com aval dos executivos dos três municípios que durante mais de 100 anos foram servidos pela antiga ferrovia: Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã.

“Tem de continuar a existir transporte ferroviário para cidade”, entre Coimbra B e Coimbra A, defendeu o vereador Francisco Queirós.

Em janeiro, o PCP lançou uma campanha contra o encerramento da Estação Nova e o desmantelamento do caminho-de-ferro entre este terminal e a estação de Coimbra B, na Linha do Norte, preconizando ainda a reposição do serviço público ferroviário no Ramal da Lousã.

Em 2013, a Estação Nova foi classificada como monumento de interesse público, através de uma portaria do então secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, que fixou também uma zona especial de proteção do imóvel.

Francisco Queirós disse que o serviço ferroviário deve ir ao centro de Coimbra, “independentemente de outras soluções de transporte para a área urbana”, como acontece no Porto ou em Lisboa e nalgumas das maiores cidades europeias.

Na sua opinião, por outro lado, “há um sério risco” de o encerramento de Coimbra A – e da própria ferrovia até Coimbra B – “deixar à mercê dos interesses especulativos” uma frente ribeirinha, na margem direita do rio Mondego, com mais de dois quilómetros de comprimento.

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