Abandono do Ramal da Lousã retratado em exposição na Universidade de Coimbra

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ARQUIVO DB/ANTÓNIO ALVES

O Colégio das Artes da Universidade de Coimbra inaugura na sexta-feira a exposição “Land.Fill”, com uma escultura de Gabriela Albergaria criada a partir do lixo deixado no Ramal da Lousã, “uma linha sem comboio”.

“A negligência cíclica por parte das autoridades responsáveis por este projeto falido cai no tempo e deixa as suas cicatrizes no espaço e na vida dos habitantes. Deste percurso ferroviário, resta uma linha sem comboio, que se percorre a pé. Um percurso vazio onde ficam os despojos do tempo e se amontoam as memórias perdidas, que deixam o seu rasto pela linha”, salientam os alunos do mestrado de Estudos Curatoriais do Colégio das Artes, que convidaram a artista Gabriela Albergaria para criar “Land.Fill”.

Movidos pelo “sucessivo abandono da linha do metro do Ramal da Lousã”, os alunos optaram por escolher esta artista face à sua própria reflexão “acerca da relação entre as sociedades humanas e o meio envolvente”.

Para a criação da exposição, os alunos recolheram materiais, ao longo da linha que ligava Lousã a Coimbra, com essa recolha a ser documentada através de vídeos e fotografias que serão exibidas em conjunto com a escultura, explicou à agência Lusa a docente do mestrado Ana Rito.

Do material recolhido, encontram-se “desde objetos de uso diário, como luvas de borracha, ou baldes, até pedaços de madeira e restos de obras, com a linha a parecer que ficou quase como zona de entulho”, afirma, considerando que o processo foi “um pouco uma descoberta arqueológica do que se encontra no espaço”, numa mistura de dimensões entre “a presença humana e o que se vai acumulando pela natureza”.

A peça, que ocupa uma área de cinco por quatro metros na sala do Laboratório de Curadoria, foi sendo montada a partir do material recolhido, que foi encaixado “como se fosse um puzzle”, afirmou a artista Gabriela Albergaria, aclarando que a escultura tem pouca altura, quase parecendo “um tapete”.

Face à existência de uma antiga fábrica de cerâmica no percurso da linha, todos os materiais utilizados na escultura foram mergulhados em barbotina da região (uma espécie de barro líquido), informou.

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