Opinião – O que fazem as pessoas

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Nutro um especial carinho por aquelas fotografias que, mostrando algo aparentemente banal, nos transmitem uma realidade manifestamente diferente quando analisadas por uma diferente perspetiva. Vêm acompanhadas pelo alerta “as coisas nem sempre são o que parecem”, ou algo parecido, obrigando as mentes mais preguiçosas a alcançar o seu verdadeiro sentido. Uma das que ultimamente me bateu à porta mostrava um veado a atravessar uma estrada. Na legenda podia ler-se: “o veado não está a atravessar a estrada. A estrada está a atravessar a floresta”.
Por cá não temos veados. Mas temos árvores. Ou vamos tendo. Poucas. Cada vez menos. E cada vez mais atravessadas por betão e asfalto. Em Buarcos cortaram-se cerca de duas dezenas, em nome do desenvolvimento sustentável do estacionamento automóvel.
O crime foi executado à vista de todos e, infelizmente, não pode ser corrigido. Há quem prefira esperar pelo fim das obras para ver. Eu já vi o que tinha a ver. Onde antes via duas dezenas de árvores, vejo hoje um parque automóvel, numa irónica homenagem à tão badalada descarbonização.
Atropelaram-se não apenas as mais bem intencionadas consciências ambientais, como os próprios princípios deste executivo, que num dos seus pontos do programa eleitoral de 2017 nos promete “proteger, como nunca, os valores naturais, culturais e patrimoniais do concelho”, e que no seu Plano Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas contempla a “introdução de melhores práticas no planeamento e gestão do parque arbóreo público”. Olhe para o que eles dizem. Olhe para o que eles fazem. E descubra as diferenças.

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