Opinião – Nove anos, quatro meses e dois dias (BPP, BPN, BES, BANIF, CGD, NOVO BANCO)

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No dia 12 de janeiro de 2019, sábado, realizou-se no Grande Hotel do Luso, perante uma assistência de centenas de professores da região centro, um Seminário subordinado ao tema “Autonomia e Flexibilidade Curricular – Propostas e Estratégias de Ação”.

A primeira oradora foi a professora e investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, Ariana Cosme, consultora do Ministério da Educação relativamente a estas temáticas que realçou a extraordinária evolução da Educação em Portugal, desde 1974 e da aprovação da Lei de Bases do Sistema Educativo, em 1986, até à publicação do documento “Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória”, em 2017 e à generalização da autonomia e da flexibilidade curricular em todas as escolas, no ano letivo 2018/2019.

A Diretora do Colégio S. José (Coimbra), apresentou as boas práticas operadas na sua instituição assim como o Diretor do Agrupamento de Escolas de Colmeias (Leiria).

Foi igualmente destacado o atraso inicial do desenvolvimento do sistema educativo em Portugal, considerando que em 1910 cerca de 80% dos portugueses eram analfabetos, sendo que em 1974 essa percentagem era ainda de 30%, enquanto, por exemplo, na Escandinávia, no início do século XX, o analfabetismo já tinha sido erradicado.

Nos finais dos anos 80, do século XX, o Ministro da Educação ( 1987-1991 ), Roberto Carneiro, procurou intensificar o combate ao abandono escolar, exigindo que todos os jovens, até aos 14 anos, tivessem que estar obrigatoriamente na escola. Nos anos 90, esse objetivo foi alargado até aos 16 anos. A partir de 2009, a meta tornou-se mais ambiciosa do que a praticada em muitos países europeus, alargando-se a escolaridade obrigatória até aos 18 anos. A escolaridade passava a ser de 12 anos.

Quanto ao futuro, algo incerto, e perante tantos desafios na preparação das futuras gerações, será fundamental dotar os atuais estudantes de um forte pensamento crítico, criativo e inovador, alicerçado numa consistente base humanista, tolerante e democrática.

Será fundamental os cidadãos conseguirem separar a boa da má informação, distinguindo entre a informação verdadeira e a informação falsa. Se as atuais e as futuras gerações não conseguirem contrariar as tentativas de manipulação das suas decisões, habitualmente veiculadas com recurso a mentiras e a falsidades, nomeadamente nas redes sociais, será a própria manutenção dos regimes democráticos que poderá estar em perigo, com todas as consequências que a História já nos demonstrou.

Assim, o desenvolvimento de um conjunto alargado de complexas competências será dos desideratos fundamentais do sistema educativo atual. Desenvolver a cidadania, o conhecimento, o espírito de tolerância e o espírito crítico será fulcral. O combate à ignorância, essencial.

Um mês e vinte dias mais tarde, no dia 4 de março de 2019, foi decidido não contabilizar o tempo de serviço efetivamente prestado pelos professores portugueses (excetuando os que trabalham na Madeira e nos Açores), entre 2005 e 2007 e entre 2011 e 2017, num total de nove anos, quatro meses e dois dias, sendo decidido contabilizar apenas dois anos, nove meses e dezoito dias. Durante um ano e quatro meses de negociações, os sindicatos, do PCP ao PSD, não conseguiram validar a bondade dos seus argumentos.

Nove anos, quatro meses e dois dias mais tarde, confirma-se, mais uma vez, a robustez, a confiança e a boa gestão de diversas instituições como o BPP, BPN, BES, BANIF, CGD, NOVO BANCO. Tudo a Bem da Nação.

 

Pedro Mota Curto escreve à quarta-feira, semanalmente

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