Opinião: Diminuir o desemprego jovem é uma questão de opção política!

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Na vertigem dos dias, sucedem-se notícias sobre questões que inquietam o nosso país. Algumas de extrema gravidade, como estupros e mortes de mulheres em infames episódios de violência doméstica e outros; ou dúvidas sobre dádivas solidárias de bens e dos mais de 347.000 euros ofertados para minorar dramas dos que foram vítimas de incêndios florestais em junho de 2017, mas de que há notícias de que estão depositados numa conta da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, em vez de terem sido distribuídos a quem deles tanto carece para reconstruir a sua vida.

E outras que, parecendo anedotas, abrem telejornais e enchem páginas de jornais. Como a de um primeiro-ministro trajando avental, na cozinha de um programa popular que lidera audiências televisivas, o que fez lembrar seitas secretas em que dizem que também de avental se cozinham negociatas e manigâncias políticas; ou sátiras humoristas, uma delas abjeta, sobre considerações tão aberrantes e absurdas como desfasadas dos atuais valores sociais, de quem, mesmo avô, será sempre neto. É a vida, diria um ex-primeiro-ministro que há muitos anos imortalizou o pantanal.

Como na passagem do tempo rareiam notícias informativas sobre o que fazer para haver muito maior desenvolvimento, recordemos que há Estados-Membros da União Europeia (UE) que utilizam políticas industriais competitivas que seduzem investidores e capitalistas, e outros que preferem aliciar exímios “lavadores de guita”. Pena é que Portugal tenha copiado o modelo dos vistos “gold”, mas não tenha adotado políticas que fazem disparar investimentos produtivos.

Nunca sugeri sequer que se acabe com a entrada de divisas de quem gasta fortunas em casas, para depois poder viajar serenamente na UE. Mas tenho defendido a diminuição da carga fiscal sobre as empresas, para atrair empresários e tornar as empresas nacionais mais competitivas, por entender que não o fazer, enquanto irlandeses, eslovacos e outros o fazem, é continuar a perder oportunidades de captar mais investimentos que criem mais empregos e gerem maior riqueza.

Há quem alegue que economias baseadas em impostos baixos favorecem o grande capital, e que este não é solidário nem conhece pátrias, o que até poderá ser verdade, mas não será inevitável. Claro que com uma forte redução das taxas de IRC (imposto sobre lucros empresariais) a receita fiscal descerá, e haverá que ir buscar o dinheiro a outros pagantes. Mas, se a redução se aplicar a quem criar novos empregos para a nossa juventude, essa medida política não será só uma forma de diminuir o desemprego jovem, uma das chagas sociais que mais compromete o devir do país.
Com mais emprego, haverá mais dinheiro na economia para estimular mercados, os negócios prosperarão, o nível de vida global melhorará, e aumentará a cobrança do IVA, pelo que há que governar de modo a tornar o país mais atrativo para trabalhadores e empresários. É que todos carecemos de trabalho para viver dignamente e constituir família mas, embora a nossa economia esteja a recuperar, ainda há muita gente que sobrevive na maior pobreza. O que é vergonhoso! E se hoje há mais turistas e o desemprego diminuiu, são imensos os jovens altamente qualificados desempregados e subempregados, o que é um travão a impedir que haja muito maior progresso!
Para acelerar o desenvolvimento, o governo terá de investir hoje muito mais no futuro. Se Costa quer Portugal a crescer mais do que a UE, terá de desenvolver políticas para empregar jovens, cujas formações custaram muito ao país. Mais solidariedade social, e criar inúmeros empregos, custarão muito dinheiro. Se o país não o tiver, o governo poderá ir buscá-lo aos que tem apoiado tanto: bancos, multinacionais, grandes empresas nacionais, fortunas colossais… Nunca fui marxista, mas sou social-democrata, espécie política em extinção por aqui, pelo que deveria ser protegida. Tal como os jovens portugueses! Mas depressa, antes que os atuais fiquem idosos…

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