Opinião – Deixem o Conan cantar!

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O tal senhor juiz (o da letra minúscula de quem todos falámos nos últimos dias) achou por bem dar uma entrevista ao Expresso para nos avisar que a independência dos juízes está a ser posta em causa, e, a despropósito, lá foi dizendo que é um conservador, que dá importância à fidelidade conjugal e que é contra a descriminalização das drogas e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Finalmente, para completar o ramalhete, explicou que vai processar os seus críticos porque – vejam lá bem – “quem não se sente não é filho de boa gente”. Olhe que não, senhor dr. juiz, olhe que não… Se assim fosse, o que seria de vossa senhoria!?
Ora, mesmo que eu esteja convencida do masoquismo daquele senhor, que o fará teimar na recolha de insultos e outras afrontas, não vou gastar nem mais uma linha com o tal juiz, cujo nome já me engulha. Ainda que filha de boa gente me repute, declaro-me indiferente a tantas e tamanhas alarvidades.
Vou, pois, escrever sobre o Conan Osíris para pedir ao mundo que o deixe cantar. Pois sim, deixem-no cantar, sempre, quando e onde ele quiser, porque, por mais tentadoras que sejam, em democracia nem as ditaduras do bom gosto são bem-vindas. Deixem o Conan Osíris cantar, com artefactos na cara e no corpo, com ou sem bailarinos a acompanhar, como e onde o rapaz quiser. Dêem-lhe telemóveis até, vários se preciso for, e levem-no a Tel Aviv e aonde mais ele pedir. Pois sim, deixem-no cantar, sempre, mas, por favor, não o deixem falar, nunca.
Em suma, não queiram saber dos arrazoados do Tiago Miranda, porque isso, sim, apenas se pode aceitar como colossal penitência ou sacrificial encargo.
Passo a resumir a lengalenga do rapaz: “Pá, tipo, para escrever a música do festival, saí uma beca de mim e fui atrás da cena e, depois, tipo, caguei, não consegui e fui mesmo até às últimas, o que eu queria era fazer o parto e largar o bebé na incubadora, porque isto é uma beca semelhante, tipo, ter um livro e transformá-lo num filme, tás a ver? E então foi bué do género, não conseguia e trabalhava numa sexshop e andava a ouvir bué de música, aquilo que eu faço é o que ouço, mas isso é uma cena bué de antiga, mano, que me salta da cabeça. Há pouco tempo escrevi um refrão de uma música que era testa de bibelot, é uma cena que me salta da cabeça e eu nem devia estar a contar isto… que m**** é esta? Aquilo tinha uma coerência, tinha uma ideia, mas era demais, eu ia ter bué de trabalho a explicar ao pessoal o que era aquilo, porque às vezes há coisas que eu invento mesmo. As coisas existem só porque sim e as pessoas depois é que dão um sentido à cena e é das cenas mais arrepiantes quando os cotas dizem que curtem; essas cenas é o que me bate mesmo, pessoal tipo cotas, tipo crianças que, de abuso, dão sentido à cena e ainda curtem. Aí, curto abusar de mim próprio e não fazer nada e depois estar ali na pressão.”
Fiz-me entender, espero!? Não, não o deixem falar, para que ele guarde os abusos para si mesmo e não abuse de nós também.
E, por isso, deixem-no cantar, sem discutir se ele é o novo Variações ou apenas mais um estapafúrdio pouco fadado para a arte, mas não lhe perguntem por mais.
Eu cá reservo-me o direito de partilhar a minha ideia sobre o Conan na próxima edição do melhor dos festivais, o Festival Idiota, organizado pelo Alvim. Em Dezembro passado, a receita da bilheteira do São Jorge estava prometida ao autor da ideia mais idiota. Pois bem, até lá, vou amadurecendo umas ideias bastante generosas no que à idiotice concerne e, entretanto, mesmo sem ouvir o Conan, vou partilhando do seu problema: “Às vezes nem a noite, nem Deus/ Nem diabos, nem ateus/ Nem a terra, nem os céus querem resolver/ O meu problema/E o problema é/ Eu adoro bolos”.

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