Opinião: Políticos

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Esteve recentemente na Figueira o recordista do mundo da maior onda surfada no planeta. Koxa, veio inaugurar um mural de fotografia na Escola Dr. João de Barros. Na semana passada, o embaixador do Bangladesh visitou a Marinha das Ondas, onde residem cerca de 30 asiáticos, que trabalham na Lusiaves”. No primeiro caso, numa cidade que querem colocar no mapa mundial das ondas do surf, foram convidados qautro autarcas (presidente e três vereadores). Nenhum compareceu. No segundo, o vice-presidente da Câmara da Figueira da Foz, Carlos Monteiro, e o vereador Nuno Gonçalves participaram no convívio.

Quase tudo o que sei, aprendi na universidade da vida, onde ganhei a arte e a finura que suprimem o que falta em teoria – que não em educação. Os democratas têm a uni-los a defesa dos valores da democracia. Nesse campo, a Figueira actual é um desgosto: o meu concelho não trilha o caminho da transparência de princípios e da honestidade intelectual de processos.

Nunca frequentei a Universidade Internacional da Figueira da Foz. Aceito ser um doutor em tudologia, pós-graduado em tudo e doutorado em nada. Aprender piano sem mestre, porém, tem uma incontornável beleza moral. O que se consegue é o inequívoco fruto do nosso esforço e tem nome: meritocracia, que é aquilo que se baseia nas capacidades e nas realizações alcançadas, em detrimento da posição social. Caros políticos: confundir pessoas interessantes com pessoas interessadas é demagogia.

One Comment

  1. Susana Nikolaïdes says:

    O Sr. António Agostinho está desagradado com a fauna da sua Pequena Aldeia… Queiram lá ver que em toda a sua extensão, o talhão da actual Figueira da Foz, bem como a Universidade Internacional, são como o cemitério do tio Jacinto…?

    "O tio Jacinto recomeçou a cavar:
    Nascem goivos a-a-ah!
    E rosas nas sepulturas…
    E interrompendo-se:
    — O senhor não quer ir ver a sepultura da tiazinha?
    — Onde é?
    O tio Jacinto pousou a enxada, sacudiu as mãos, e pôs-se a caminhar
    rente ao muro — onde roseiras cresciam contra a cal muito branca. Mas
    parou, indignado: um pé de roseira estava quebrado e no muro caiado
    havia raspões, como de solas que se tivessem firmado ao escalar…
    — Pois quer o Sr. Arturzinho ver que tornaram a saltar de noite?
    — Quem?
    O tio Jacinto contemplava, triste, o pé de roseira quebrado,
    rosnando:
    — Corja! Quem!? Vão lá saber quem! Há-de ser a mesma cambada
    que me vinha roubar as batatas! Se eu pilho um!
    — Então você plantava batatas no cemitério, homem?
    — Então, porque não, Sr. Arturzinho? Mas lá o Sr. Alves, o da
    Câmara, começou a implicar. Disse que até era pecado. Pecado é tirar a
    um pobre o bocadinho do seu negócio. Ricas batatas; também lhe digo,
    não há terra de semeadura como isto. — E com um gesto largo indicava
    o cemitério: — É tudo o que V. Sª lhe plante. Está abarrotadinho de
    estrume!… Por aqui, Sr. Arturzinho. A tiazinha está para este lado."

    Excerto de A Capital do Sr. Eça de Queiroz, da parte do grande cemitério de uma capital, para o Sr. António Agostinho.

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