Opinião – Pedrógão Grande. Apurar a verdade, e punir os culpados!

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A TVI transmitiu em 21 de fevereiro uma reportagem sobre supostas irregularidades ocorridas no rescaldo dos incêndios florestais de Pedrógão Grande (PG) de há quase dois anos atrás. Se as imagens, depoimentos e comentários transmitidos forem verdadeiros, a Câmara de PG deve demitir-se e ser julgada; mas se, como o comunicado de 22 do corrente desta Câmara garante, não tiverem fundamento, a TVI, e os responsáveis pela reportagem, deverão ser processados.
A reportagem mostrou gente resignada, mas que deveria estar revoltada. E pessoas simples que, olhando Portugal de frente, disseram nada terem recebido daquela autarquia, depois de terem perdido os seus haveres. E um homem profundamente queimado por um incêndio florestal disse que tinha pedido apoio à Câmara para refazer negócios e vida, e que nada tinha recebido. Quem os viu e ouviu, terá ficado estarrecido. Com os evidentes desalentos. Com a ajuda humanitária que dizem ter sido negada. Mas a Câmara garante que tudo não passa de uma cabala organizada.
Só que o repórter inquiriu o presidente sobre o que tinha visto, e este nada disse, e nem sequer para ele olhou. E a vice-presidente só respondeu ao jornalista “…se o senhor o diz”. E o filho do presidente, que é seu adjunto (!), e que a TVI disse ser também o responsável pela distribuição da ajuda humanitária, não respondeu às perguntas feitas por telefone sobre armazéns com eletrodomésticos empacotados, colchões enrolados e demais bens ofertados, amontoados de forma caótica, e sem preceitos que preservem o seu valor. Mas não há razão plausível para que quem gere uma autarquia, não responda aos que averigúem atos de gestão, tenham ou não razão.
A reportagem relatou materiais desviados, e mais de 347.000 euros numa conta bancária aberta pela Câmara para angariar fundos que já deviam ter sido entregues a quem deles tanto carece. Dinheiro doado por quem quis ajudar quem perdeu o que tinha naquele tenebroso incêndio! E foram referidas dádivas individuais entre dois e 35.000 euros, tão valorosas umas quanto as outras, porque todas tiveram o objetivo altruísta de ajudar a minorar sofrimentos alheios. Pelo que não se admite que o dinheiro dado pelo povo, não seja distribuido com limpidez e rapidez.
Numa reportagem anterior sobre o município de PG, a TVI tinha dito que nem todas as casas aí reconstruídas seriam de primeira habitação, e que algumas nem teriam ardido. A Câmara de PG emitiu então um comunicado, dizendo que agiria criminalmente contra a TVI e os jornalistas envolvidos, e elucidou alguns casos citados nessa reportagem. Mas nesta última reportagem, a TVI divulgou imagens e informações que, se não forem verdadeiras, serão difamatórias.
Entretanto, o jornal Público publicou notícias que parecem contrariar a reportagem da TVI, mas custa a crer que esta estação televisiva não tenha exercido escrupulosamente o direito de informar sobre o que terá verificado em Pedrógão Grande, e que tenha ultrapassado os limites éticos e legais que os órgãos de informação social devem respeitar. Mas há que averiguar tudo e todos. Quando um qualquer canal de televisão mostra o que a TVI tem mostrado, o Governo não deve mandar averiguar a verdade? E não compete à ERC, entidade reguladora dos órgãos de informação social, zelar também pela veracidade da informação que é divulgada no nosso país?
As polémicas sobre as reportagens da TVI e a gestão da Câmara Municipal de Pedrógão Grande levantam dúvidas. Como o que se tem passado em torno dos incêndios florestais de Pedrógão Grande é tão inaudito como vergonhoso, haverá que apurar a verdade, e punir os culpados!

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