Opinião: Pampilhosa da Serra: uma região com História

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A Pampilhosa da Serra é muito mais que uma simples região caracterizada por um extenso património natural (a grande quantidade de florestas e a sequência de rios como o Ceira a norte, a Ribeira de Unhais no centro e o Zezêre a sul).

A região da Pampilhosa é importante por isto, mas também pela sua História. A documentação não oferece margem para alguma dúvida. Quando falamos da Pampilhosa da Serra, falamos invariavelmente de uma área que remonta a pelo menos ao século XIV. No Volume VI da obra oitocentista “Portugal Antigo e Moderno (…)”, de Pinho Leal, encontramos referência a um foral que foi outorgado por D. Dinis a esta região, em 1308 e, subsequentemente, preservado pelo monarca D. João I. O que faz todo o sentido, pois na época de D. Manuel I – em harmonia com a sua direcção política de reorganização legislativa e administrativa – todos os forais medievais foram objecto de rectificação e renovação. Visualizamos, por isso, através da publicação “Livro dos Forais Novos da Beira”, a actualização do foral pampilhosense a 20 de Outubro de 1513.

A informação que consta neste documento é, efectivamente, relevante. A começar pelo imposto que os moradores pagavam aos funcionários fiscais do rei, o “(…) mordomado (…)”. Fala-nos do usufruto dos montados que estava sujeito às posturas do concelho da Pampilhosa. Isto é, se o indivíduo fosse exterior ao mesmo tinha que se moldar às posturas da localidade.

Os maninhos só podiam ser utilizados com a aprovação dos Procuradores do Concelho e, em última instância, do monarca. Esta atitude estava completamente de acordo com a mentalidade da época, uma vez que repercute a solidificação jurídico-administrativa promovida por D. Manuel I um pouco por todo o país.

As sentenças pelas irregularidades verificadas neste concelho estavam reservadas à pessoa do Meirinho da terra, funcionário régio com poderes ligados à justiça.

As portagens, para quem passasse pela Pampilhosa, tinham o mesmo valor que o da Lousã.

É muito importante que valorizemos a História das nossas regiões são elas, afinal, o espelho do ser português. Longe de generalizações, e de rótulos como “identidade nacional” e “alma colectiva”, o ser português é reconhecer que existem várias identidades e várias almas que construíram Portugal. Pela singularidade, não esquecendo da integração no todo nacional, a Pampilhosa é uma região com uma História fortemente enraizada. É preciso é estimular oportunidades para que seja conhecida de todos os portugueses. Ponhamos a História ao serviço da população e invistamos num Turismo Cultural sério, dinâmico e ilustrativo.

One Comment

  1. Muito interessante!

    Eu sou descendente da zona e é com muito agrado que vejo jovens como eu interessados na história das nossas terras!

    Muito obrigado!

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