Opinião – Malefícios do Poder

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Um dos problemas do país é a cultura arrogante que marca a passagem pelo poder de uma gente que pouco fez e muito desfez.
Queixando-se disso, um email, que recebi há dias, afirmava que “Maria de Lurdes Rodrigues vai ter sempre um lugar “especial” no coração de todos os professores. Há coisas que não se dizem e Maria de Lurdes ultrapassou todos os limites, insultando, humilhando, tentando colocar todo um país contra os professores.”
Conseguiu assim esta Ministra degradar a condição profissional dos professores e educadores e como consequência reduzir o seu número e em simultâneo envelhecer e envilecer os que fazem Educação.
Tudo confirma o que escrevia em 1907 Francisco Velhinho Correia:
“Parece que a instrução primária, não convém aos homens públicos do nosso país, e os professores primários – segundo a frase de Lopo Vaz – são uma classe perigosa que é preciso trazer vigiada pela polícia!!…1”
Tudo se enquadra agora numa teoria neoliberal abstrusa que manda reduzir o Estado, e mesmo que no final o Estado Mínimo já não consiga cumprir as suas funções. Aquilo que interessa aos governantes é viabilizar os negócios de quem manda neles. Alguns deles entram nesta lógica de ideias numa espiral de incompetente e “chico-esperta” corrupção, em que alguns vão parar a Évora ou a outras prisões menos luxuosas conforme a sorte. Outros lá conseguem embaralhar os juízes e criar dúvidas que os absolvem “In dubio pro reo”, que é uma expressão latina que significa literalmente na dúvida, a favor do réu.
Fala-se agora da Caixa Geral de Depósitos dos 13 ex-governantes que estão nestas condições, sendo todos do arco da governação. Não admira que por causa deles a Caixa Geral de Depósitos tenha perdido 62,5 milhões de euros com o Grupo Lena (https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/caixa-geral-de-depositos-perde-625-milhoes-de-euros-com-o-grupo-lena, acesso em 28 de janeiro de 2019 ) que, sabemos, foi uma grande parceira da Parque Escolar uma empresa criada para promover uma “requalificação” dispendiosa de algumas poucas escolas, criando mais deficit para o Povo pagar.
Brinca-se agora em todos os meios de entretenimento escrito, televisivo, radiofónico, Facebook, etc. com esta nossa nacional situação caricata, criada também com a voz grandiloquente e altissonante de Sócrates e da sua fiel ministra.
Ficamos assim reduzidos à expressão latina “ridendo castigat mores” ou “castigat ridendo mores”, que define a crítica moral de tipos e grupos sociais quando se recorre ao cómico, correspondendo ao princípio em que se fundamenta a comédia, criado por Jean de Santeuil ( 1630-1697), poeta francês, diz-me a Wikipédia.
Infelizmente, estamos todos mais pobres e demasiados reduzidos à miséria e à emigração.

1 Correia, Francisco Velhinho – O ensino e a educação
em Portugal, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1907, p. 107

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