Opinião: Escola… uma organização!

A escola pública, tal qual é hoje entendida, faz algum sentido, ou nem por isso?
Para que não restem dúvidas, eu sou um acérrimo defensor da Escola Pública.
Mas não é isso que está em causa.
A pergunta que se deve fazer questionando os seus responsáveis, deveria ser: “a Escola Pública, tal como hoje é gerida, faz algum sentido, ou serão necessárias modificações profundas no seu funcionamento”?
Eu compreendo que a resposta não é fácil, mas constata-se facilmente que existem disfunções da organização escola.
Uma escola é uma organização em que todos os seus agentes deverão ser “solidariamente solidários”! Significa que, os seus agentes não se deveriam acantonar no que é a sua própria função, obrigação, e nada mais fazer pela Instituição, mas contribuir também para aquilo que deverão ser a obrigação dos seus colegas.
Sabemos que não é assim – quem tiver dúvidas ou certezas que desminta – e quem sofre mais são os alunos. É um “lugar-comum” dizer que só existem escolas e professores e outros agentes, porque há crianças! Mas sendo-o, a obrigação seria a de transformar este “lugar-comum”, não numa continuidade, mas numa transformação profunda da realidade.
A escola é um local de saber, de conhecimento. Todas as disciplinas deveriam estar ligadas entre si. Mas tal não é a realidade e voltamos de novo ao problema comum; os alunos são os prejudicados! Sabe-se que Pais e Encarregados de Educação, vá-se lá saber porquê, têm um apetite voraz por fazer parte da equação. Mas tal não deveria ser, nem verdade, nem autorizado, porque o seu grande trabalho é para “fazer em casa”!
O Professor tem uma função primeira que é ensinar. Não é polícia, não é segurança privado, nem é amigo. É professor e ponto. E o “ponto” significa, que tem pela sua função um enorme respeito e também o exige. Nem muito, nem pouco, porque o respeito não é mensurável, mas tão só, respeito!
Mas na verdade, começa na própria estrutura de gestão, ou essa falta de respeito, ou a incapacidade para a aplicar, quando não motiva nem estimula a que a escola seja uma organização. É evidente que a confusão instala-se, quando é o próprio ministro que não sabe muito bem “às quantas anda”! E quando a tutela não é ela própria geradora de disciplina, quando deixa algumas coisas importantes ao livre arbítrio, torna-se evidente que a função de Professor é menorizada e menosprezada, o que torna uma escola ingovernável e protanto, insustentável.
Recomendaria assim, que possa ser a própria Instituição Escola, ela mesma, a apontar soluções e princípios orientadores. Dá trabalho? Pois dá, mas sem trabalho nada se consegue! Se assim fosse, se a estrutura fosse dinâmica e actuante, teríamos melhores Professores, por melhores escolas!

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