Opinião – De crise em crise

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A instabilidade no país, motivada por via de manifestações de desagrado por inúmeras corporações, leva-me a pensar que poderemos estar muito perto de uma crise social e política sem precedentes.
É que as greves não são políticas; são laborais!
Não se pode prometer aquilo que não se pode dar.
Na verdade, o actual governo prometeu muito e de várias formas e, ao mesmo tempo, predispôs-se a reduzir receitas sem se preocupar em fazer contas.
A mim pouco me interessam análises estatísticas sobre os compromissos com PCP ou BE. A mim interessam-me sobretudo políticas públicas que valorizem os cidadãos e as Intituições que os defendem.
Existe uma crise na saúde – e não só o problema com os enfermeiros -, existe uma preocupação no funcionamento da educação – e não só com os professores – existem sérias dúvidas sobre o funcionamento da justiça – e pouco tem a ver com juízes – enfim, uma série de problemas que à partida de resolução difícil.
O desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde, apesar de alguns argumentarem o contrário, a fraca organização e dinamização das escolas, por efeito de um método gestecionário pouco credível e, o pouco e curto investimento na justiça, fruto também de um corporativismo pouco democrático, pode criar dúvidas na mente dos cidadãos.
É que não chega “meter” mais dinheiro. É necessário que a isso corresponda uma gestão mais eficiente e eficaz. Julgo que ninguém se oporá a que a ADSE como outros, possam fazer acordos com unidades de saúde privadas. Não pode existir é uma desregulação total e absoluta. Todos os actos serem claros transparentes é o que se deseja e exige.
O maior problema deste Governo, apesar de o denominarem como “Ronaldo da economia”, tem sido o Ministro das Finanças. Mas não só. Percebo que ser Ministro, mesmo de qualquer coisa que não exista, deve dar muito gozo. Mas mesmo nesse caso deverão existir regras de comportamento.
Poupar na saúde, na educação e na justiça, aparecendo como o “salvador da Pátria económica”, é pouco e curto.
Questiono-me e questiono, ainda que ainda ninguém me tenha sabido responder, qual o efeito nas receitas do Estado ao abolir as 40 horas de trabalho e passar de novo para as 35. Foi uma medida eleitoral de grande efeito, e mesmo assim, não conseguiu dar uma vitória clara ao PS, antes, uma vitória ao PCP e BE que tal reivindicaram.
Questiono também, qual o alcance da diminuição do IVA na restauração e natural quebra de receitas e, se a tal correspondeu grande criação de emprego e ao mesmo tempo, “tornou tudo” mais barato ao consumidor.
Nunca direi como o Senhor Ex-Presidente da República Dr. Jorge Sampaio, “que há vida para além do déficit”! O controlo do déficit é determinante para a sobrevivência do País. Só que há formas de o controlar, sem que para isso seja necessário vender a alma ao diabo!
Haverá tempo de os socialistas reinventarem a sua política para o País que lhe permita vencer tranquilamente as eleições legislativas, ou já entraram numa espiral de queda?
A ver vamos!

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