Casas novas atenuam dor que nunca se esquece

FOTO DB / PEDRO RAMOS

Quatro das habitações afetadas pelos incêndios de outubro de 2017, em Penacova, foram ontem entregues aos proprietários pela CCDRC

O caminho é feito entre o negro das árvores e o cinzento do alcatrão. As casas, novas, reconstruídas depois dos incêndios de outubro de 2017, são de uma alvura irrepreensível e aguardam a chegada da comitiva da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC). Dia após dia, aos poucos, as habitações têm sido devolvidas aos proprietários. Ontem foram entregues quatro em Penacova e duas em Tábua. Ficam a faltar 30 nos dois concelhos.

A escritora inglesa Janet Olearski, de 66 anos, tinha-se fixado em Portugal há poucos meses quando viu o fogo levar-lhe parte da casa. Vive sozinha, com inúmeros animais que nunca quis deixar. Nos últimos meses, andou de divisão em divisão para que as obras se fizessem. “Sou muito sortuda, fizeram um bom trabalho. Valeu a pena esperar”, disse ontem na entrega formal da habitação localizada em Lagares, Travanca do Mondego.

A escritora já tem o rascunho do próximo livro. Chama-se “Depois do fogo”.
“Senhor José Maria, tem aqui outra chave. Vamos assinar os papéis e a casa já é sua outra vez”. A conversa é tida à mesa da cozinha de uma casa reconstruída no lugar de Ribeira (Penacova). José Maria Martins, de 78 anos, e o filho, Artur, de 45, resistiram até ao último segundo no dia do grande incêndio.

 

Reportagem completa na edição impressa de 16 e 17 de fevereiro

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