Seminário de Coimbra expõe dezenas de xilogravuras do padre Nunes Pereira

Dezenas de obras de xilogravura da autoria do padre e artista Augusto Nunes Pereira, que morreu em 2001 com 94 anos, vão estar expostas no Seminário Maior de Coimbra de quarta-feira a 31 de outubro.

Alguns dos trabalhos em madeira estão reproduzidos como ilustrações do livro “Contos de Fajão”, da autoria de Nunes Pereira, uma recolha etnográfica de histórias populares desta aldeia do concelho da Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, de onde era natural.

O artista teve a última oficina no Seminário de Coimbra, no espaço que acolhe atualmente um museu com o seu nome, e a exposição assinala os 30 anos da primeira edição daquela obra.

Nunes Pereira “é quase um Gil Vicente” que assume a “crítica social através da arte” em diversos textos e peças de xilogravura, disse hoje à agência Lusa o reitor da instituição, Nuno Santos.

“Num ou noutro momento, repensamo-nos hoje à luz dos seus textos de crítica social”, acrescentou.

“Intitulada ‘Regressar às origens pela xilogravura de Nunes Pereira’, a iniciativa proporciona um voltar os olhos para o ponto de partida de nós mesmos, a nossa família, a casa paterna, a aldeia ou lugar da nossa infância, as pessoas e lugares que nos são queridos e que têm marcas indeléveis na nossa essência”, afirma Nuno Santos numa nota do Museu de Nunes Pereira, onde a mostra abre ao público na quarta-feira, às 18:30.

“Trata-se de um trabalho que tem hoje um profundo significado cultural e antropológico, social e artístico”, sublinha.

Nas peças, com breves frases gravadas na própria madeira, o monsenhor Nunes Pereira “descreve um Portugal, uma sociedade, um tempo, um modo de ser pessoa”.

“ o mesmo tempo que nos faz rir, nos faz pensar e nos questiona sobre o modo como vivemos hoje”.

“Nunes Pereira era um filho da terra, a terra que trazia sempre no seu coração”, tal como as “gentes, serras e paisagens” de Fajão, o que o levou a proceder à recolha dos contos locais em livro.

Augusto Nunes Pereira (1906-2001) era filho de um escultor santeiro do lugar da Mata de Fajão, de quem herdou ferramentas e a arte de trabalhar a madeira.

Nos “Contos de Fajão”, surgem figuras como o juiz de Fajão, o prior, o sacristão, o juiz da Relação do Porto, o almocreve, o bispo, o oficial de diligências, o escrivão e os estudantes da Universidade de Coimbra.

O livro foi publicado pelo Museu Antropológico da Universidade de Coimbra, em 1989, e reeditado pela Junta de Freguesia de Fajão, em 2000.

Na abertura da exposição, estarão presentes o presidente da Câmara da Pampilhosa da Serra, José Brito, e o presidente da Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado, além do reitor do Seminário e uma representação do município de Coimbra.

“A beleza da mulher pela xilogravura de Nunes Pereira” foi outra das exposições realizadas no mesmo espaço, em outubro, no âmbito das comemorações do Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja.

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