Opinião – Remendos… e que tais mais!

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Coimbra tem sido vítima de esquecimento ao longo de muitas décadas. Nada que me admire, dado a quantidade de cidadãos que, governando, a olham com desconfiança. Alguns até que nela cresceram!
Também assumo a convicção que não o fazem propositadamente. Apenas circunstâncias da vida!
Mas isso é algo que é comum ao todo nacional, dado que a premissa do Estado Novo, se mantém até aos nossos dias; “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”!
De quando em vez o Porto estrebucha, enche o peito a dizer que é a capital do norte, recebe e pede “de chapéu na mão”, mais uns investimentos ou promessas para não cumprir, e lá continuam os invictos a pensar que valem mais do que a realidade. São bem enganados, mas, quem aceita…aceita!
Coimbra não é capital do centro, penso mesmo que nem de si mesma, porque aceita de bom grado o que lhe dão sem questionar coisa nenhuma. Aceita até o que lhe tiram e ainda faz uma vénia, e um pedido arrebatador, para lhe ofertarem qualquer coisita.
Limparam-lhe os carris e agora dizem que vão “meter” uns “buses” de meia dúzia de tostões, enquanto nas duas “capitais” são euros às carradas para o transporte ferroviário; limparam a linha da Pampilhosa que poderia ligar, um dia, o porto da Figueira da Foz à Europa, preparando-se alguém para, também um dia, ligar o porto de Aveiro a essa mesma Europa, por esse mesmo transporte; decidiram fazer um novo, mais ou menos aeroporto, para servir o turismo e Lisboa, desejando alguns que para servir a região centro, “serve” uma espécie de aeroporto da Força Aérea em Monte Real, não percebendo que um novo aeroporto construído de raíz da zona centro seria decisivo para a economia portuguesa.
Coimbra luta pouco. Retirar carris, para meter “buses” para levar boa gente para Miranda do Corvo e Lousã, sem pensar numa solução integrada entre o litoral e o interior, é coisa pouca! Mas é o que temos
Ler as declarações dos candidatos a “Magnífico Reitor” ainda me deixa mais preocupado. Não pela falta de qualidade, porque reconhecidamente, qualquer dos três é cidadão de elevada competência, mas pelo facto da terminologia e das propostas são, na sua esmagadora maioria, serem um lugar comum.
Quando se referem à cidade, aos CHUC e à região, é um discurso que ouvimos há muitos anos e cada vez mais longe de se alcançar.
Quando se institucionalizou que a noite Quinta-Feira é para a desbunda – não estando os estudantes, se calhar, em condições de frequentar as aulas na sexta –, quando se percebe que muitos estudantes vão passar o fim de semana a casa – talvez como os de Harvard ou Duke, ou mesmo Oxford ou Cambridge – então, a preocupação é grande!
Resta-me agora perceber se o Ministro que se desloca tantas vezes a Coimbra vai ser o cabeça de lista nas eleições europeias ou nas eleições legislativas. Mas como ele e o próprio António Costa são “uns mãos largas” e deram apoio ao remendo da IP3 ao invés da autoestrada, tudo é possível!

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