Opinião: Primeiro de Janeiro (parte 1)

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Por motivos que apenas ao 31 de Dezembro dizem respeito, o meu veículo automóvel pernoitou a passagem de ano para os lados dos Caras Direitas, enquanto o respectivo proprietário, alavancado pela apoteótica pirotecnia própria da noite, iniciava o primeiro sono de 2019 do outro lado da cidade. Horas mais tarde, despertado pela noção que tal veículo se encontrava a cerca de 4 quilómetros de distância, apanhei o cão das quatro e dez e iniciei, de chave no bolso, uma caminhada triunfante rumo à respectiva fechadura.

Parti da zona portuária. Primeiro junto ao rio, depois com vista de mar. Alcancei o objectivo 5214 passos mais tarde (sensivelmente o dobro para quem tem quatro patas). Estatísticas à parte, confirmei com os próprios olhos, apesar da visão turva que teimosamente me persegue no primeiro dia de cada ano, que tem sido ganha a aposta do executivo na festividade da passagem de ano.

Nos passeios da marginal, uma infindável mescla de gente variada, enfeitada e airada, desfilava aleatoriamente perante um cenário magnificamente por Ele pintado, onde se destacava o astro rei, preparando-se para mais um dos seus inesquecíveis pousares. E foi aí que eu e o meu amigo patudo trocámos aquele suave sorriso de satisfação plena.

Mentira, ele estava compenetrado lá na vida dele. Mas foi aí que eu troquei comigo mesmo a ideia que são dias como este que nos devolvem um pouco do orgulho esquecido e nos emprestam e a quem nos visita a visão de uma cidade ímpar na relação com os pequenos prazeres da vida. Para o ano deveremos ter a ambição de chegar ainda mais longe. Pela parte que me toca, abandonarei o veículo para lá do Cabo Mondego.

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