Opinião – Para que serve a educação?

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Perguntem aos empresários. Responderão que a educação é o motor da economia, sem educação não há quadros nem mesmo trabalhadores qualificados para produzir mais e mais riqueza. Para muitos, a educação é um subcapítulo da economia.
Perguntem aos pais. Na sua maioria dirão que serve para ter bons empregos, bom nível de vida, “para sair da cepa torta”. Em boa verdade, servem bem os interesses dos empresários e os objetivos da economia.
Perguntem aos professores. Muitos dirão que serve para aprender português, matemática, inglês, física, informática, geografia, história, filosofia. Foi para isso que estudaram. Um bom aluno é o que fala e escreve bem e conhece bem cada uma das disciplinas.
Perguntem aos alunos. Para muitos, a educação e a escola servem para tirar boas notas e passar. É para isso que estudam. Quando estudam e conseguem ver na escola um trampolim para a vida.
Poucos têm consciência que a educação, antes de formar para a economia, para o emprego, deve formar pessoas. Desde o nascimento e ao longo de toda a vida, e deve perseguir dois objetivos fundamentais:
1 ) desenvolver o corpo e o espírito, numa confluência que permita atingir ao máximo as funções superiores do cérebro: a linguagem, o pensamento, o raciocínio, a consciência crítica de si e do mundo;
2 ) formar a pessoa para a vida em sociedade, com princípios e valores, para a cidadania, que envolve, antes de mais, o carater, a personalidade, a disciplina, o respeito pelo outro, a solidariedade, a honestidade.
É esta visão que falta na educação. Mesmo quando existe não se leva à prática. Antes de formar técnicos, cientistas, génios, temos de formar pessoas. Quando não temos esta visão e aceitamos a educação como mero ancilar da economia, temos uma sociedade inquinada que nos deixa à mercê dos génios do mal, da corrupção, do roubo descarado e consentido. Autarcas, deputados, banqueiros, ministros, primeiros ministros, presidentes, dirigentes de todos os quadrantes e geografias, a corrupção entra em todo o lado porque a educação não formou pessoas, muitas vezes, vezes demais, formou monstros. Não nos interessa formar génios para destruir o planeta e a humanidade.
As Nações Unidas, a UNESCO e a UNICEF em particular, mobilizando especialistas em vários domínios da ciência, vêm insistindo na necessidade de educar todos, durante toda a vida, e educar melhor, como condição sine qua non para a vida e a sobrevivência das pessoas e do próprio planeta. “Num planeta morto, não há empregos para ninguém” (UNESCO, Global Education Monitoring Report, 2016 ).
A prevalência da fome e da pobreza e as ameaças crescentes para a vida no planeta, os sucessivos e crescentes desastres ambientais, as guerras sem fim, também elas movidas pela economia, mostram que estamos perante uma inversão de valores. Economia, sim, mas ao serviço da educação. Sem pessoas educadas, não há economia que nos valha.

2 Comments

  1. Susana Nikolaïdes says:

    O Sr. José Afonso Baptista parece idealizar as Nações Unidas, a UNESCO e a UNICEF. Ora as idealizações, tal como sucede nas relações entre humanos, poderão ser um primeiro e grande problema. Isto para não reverberar na já velhinha asserção brotada de ignota e primeva gorja: "O problema são as Idealizações"…
    A Educação, foi o que Socrátes tentou com os atenienses, Sr. José Afonso Baptista. Educação que correu, com a maior parte deles, atenienses, muito mal.
    Ora quer ver uma exemplificação de educação in terminis?


    Mas melhor mesmo, é reler, reler, reler a Apología Sokrátous, antes dela, o Euthyphrōn, depois dela, o Crito, e finalmente o Phaidōn, pois o excerto do filme Socrates, realizado por Roberto Rossellini, é senão um divertimento ilustrativo sério da séria dificuldade em Educar humanos.

  2. Susana Nikolaïdes says:

    O Sr. José Afonso Baptista parece idealizar as Nações Unidas, a UNESCO e a UNICEF. Ora as idealizações, tal como sucede nas relações entre humanos, poderão ser um primeiro e grande problema. Isto para não reverberar na já velhinha asserção brotada de ignota e primeva gorja: "O problema são as Idealizações"…
    A Educação, foi o que Sócrates tentou com os atenienses, Sr. José Afonso Baptista. Educação que correu, com a maior parte deles, atenienses, muito mal.
    Ora quer ver uma exemplificação de educação in terminis?


    Mas melhor mesmo, é reler, reler, reler a Apología Sokrátous, antes dela, o Euthyphrōn, depois dela, o Crito, e finalmente o Phaidōn, pois o excerto do filme Socrates, realizado por Roberto Rossellini, é senão um divertimento ilustrativo sério da séria dificuldade em Educar humanos.

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