Opinião – Notas da semana

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Aeroporto de Lisboa: A história do Aeroporto de Lisboa mostra bem o que é este país e como tem sido muito mal servido de pessoas que se revelaram incapazes de decidir protegendo o interesse nacional. Nos últimos 50 anos, esteve para ser em quase 20 sítios diferentes, usando todo o tipo de argumentos. Não foi em nenhum. O país teve de perder a soberania e, neste caso dos transportes aéreos e infraestruturas, vender os interesses nacionais a estrangeiros, para que eles decidissem por nós. E assim o fizeram forçando tudo e todos, até a lei.
O aeroporto será no pior sítio possível, será um pequeno apeadeiro e avança mesmo sem estudo de impacte ambiental. As aves e as pessoas que se lixem. O interesse nacional, a segurança também. O que interessa é o dinheiro.

Presidente da República: Quando Marcelo Rebelo de Sousa telefona em direto para um programa de televisão, não é o cidadão, amigo, camarada, companheiro, homem de afetos, etc., que está a falar, mas sim o Presidente da República, isto é, a pessoa que representa todos os Portugueses.
Pessoalmente, não me senti nada representado. Também não senti nenhuma vergonha, ou qualquer coisa negativa. O Marcelo é como é.
Só tenho pena que um homem genuíno, humano e muito inteligente, como Marcelo Rebelo de Sousa, desvalorize assim a sua intervenção.
As coisas têm valor quando são feitas com a devida contenção para poderem ser distintivas. Quando se vulgarizam, quando são feitas para compensar, quando se fazem porque alguém mudou de emprego e é nosso amigo(a), ou a propósito de algo sem a menor relevância, desvalorizam o significado da distinção feita pelo Presidente da República.
E isso é uma enorme pena. Marcelo tem as capacidades para ser o melhor PR de sempre, mas é também o seu maior inimigo.

Coimbra Inovação Parque: Enquanto o Marcelo Rebelo de Sousa telefonava à Cristina, Manuel Machado (Presidente da Câmara de Coimbra) aproveitou o momento de insanidade coletiva e “nomeou” Vitor Batista, um “reconhecido” “especialista” em empresas, novas tecnologias, empreendedorismo, e tudo o que se relaciona com inovação, Presidente do Conselho de Administração do iParque – Parque de Ciência e Tecnologia de Coimbra.
Como dizia um grande amigo meu: “a política nunca devia entrar nas empresas, mas infelizmente é o que temos”. Pobre Coimbra.

Vistos-Gold: O juiz Francisco Henriques disse o seguinte sobre um ex-ministro recentemente absolvido de todos os crimes:
1 ) Relativamente ao concurso público internacional para manutenção de helicópteros Kamov, “fez um uso que não devia” ao enviar ao seu amigo e empresário JG [também arguido] o caderno de encargos do concurso;
2 ) “Neste caso não se provou que o ex-ministro tivesse intenção de prejudicar ou beneficiar alguém. O que foi feito foi mal feito, mas se foi para prejudicar ou beneficiar o tribunal não apurou qual foi a intenção”.

Lamento muito. Não tenho nada contra o ex-ministro em causa, mas assistir à tentativa de o SANTIFICAR deixa-me perplexo. O ex-ministro portou-se mal, teve um comportamento que é eticamente e moralmente censurável e não vi nenhuma declaração pública em que ele reconhecesse esse comportamento e se retratasse. Desculpem, mas é esta cultura dos “jeitinhos”, da “palavrinha” e dos favores aos amigos que conduz ao estado de corrupção em que vivemos. Chega!

2 Comments

  1. Vamos supor que Paulo Júlio era presidente da CMC, se por suspeitas de ter beneficiado um primo apanhou 2 anos, por pôr um amigo do partido à frente do iParque apanharia quanto?

    • maria neves says:

      Pois é, mas o Paulo Júlio é um rapaz pacato, não se exibe, faz bem sem olhar a quem e é da oposição a esta gente forte…Mas claro que se tivesse sido ele, apanhava no ínimo dez anos de pena efectiva, não lhe parece? Mais as devidas multas…

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